Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Neandertais poderiam ter comunicação elaborada, revelam estudos

Neandertais poderiam ter comunicação elaborada, revelam estudos

Diferentemente dos personagens em filmes e séries de televisão, os neandertais não eram simples brutamontes. Nas últimas décadas, pesquisadores descobriram que esses hominídeos eram capazes de ter uma linguagem complexa, podendo emitir sons elaborados além dos urros e gritos.

Em 2009, a BBC acompanhou uma equipe de especialistas em estudos da voz durante a produção do programa Neanderthal: The Rebirth. Esse grupo analisou o esqueleto completo de um neandertal para descobrir quais sons esses seres primitivos eram capazes de fazer.

Os pesquisadores desenvolveram um modelo 3D do trato vocal de um desses hominídeos a partir do conhecimento de sua anatomia. Caixa torácica profunda, crânio pesado e cavidade nasal ampla foram fatores essenciais para definir que esses sujeitos eram capazes de emitir um grito nasal agudo.

Um conjunto de estudos dos últimos anos foi além: mostrou que os neandertais tinham um cérebro mais complexo do que pensávamos. Assim como poderiam ser capazes de fazer arte, segundo revelou um artigo de 2025, pesquisadores acreditam que esses hominídeos teriam potencial para desenvolver a linguagem.

Em uma pesquisa de 2021, um grupo de antropólogos recriou o crânio de um neandertal em computador. O grupo descobriu que eles eram capazes de produzir fala e escutar entre frequências de 4-5 kHz, próximas ao que o Homo sapiens moderno consegue captar. Os pesquisadores estimaram que isso indicaria a existência de um sistema de comunicação complexa e eficiente entre esses grupos primitivos.

Uma equipe multidisciplinar abordou a questão de uma perspectiva mais ampla em 2023. Ao combinar anatomia, genética, cognição, cultura e ambiente, os cientistas chegaram à mesma conclusão: os neandertais poderiam produzir sons como os atuais humanos, com algumas poucas diferenças. Esse estudo está disponível no servidor de pré-impressão PsyArXiv, onde aguarda revisão por pares.

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