Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Nova (e minúscula) espécie remodela a árvore genealógica dos dinossauros  

Nova (e minúscula) espécie remodela a árvore genealógica dos dinossauros  

Um artigo publicado na revista Papers in Palaeontology descreve uma espécie até então desconhecida, de pequeno porte, cuja descoberta ajuda a reinterpretar a evolução dos dinossauros herbívoros do período Cretáceo. Batizada de Foskeia pelendonum, ela destaca a relevância de formas diminutas no desenvolvimento e diversificação do grupo.

A descoberta envolve pelo menos cinco fósseis individuais encontrados na Formação Castrillo de la Reina, no norte da Espanha. Os restos são formados por ossos muito pequenos, o que inicialmente levantou dúvidas entre os pesquisadores. A principal questão era saber se aqueles fragmentos pertenciam a filhotes de dinossauros grandes ou a adultos de uma espécie naturalmente minúscula.

Quando os primeiros ossos foram identificados, em 1998, não havia informações suficientes para uma conclusão definitiva. Dinossauros pequenos costumam confundir os cientistas, pois juvenis e adultos de espécies distintas podem ter tamanhos semelhantes. Com o passar do tempo, novas escavações revelaram mais materiais, permitindo uma análise mais completa do conjunto.

O avanço decisivo veio com o uso de tomografia computadorizada de alta resolução. Essa técnica permitiu examinar a estrutura interna dos ossos sem danificá-los. A equipe liderada por Paul-Émile Dieudonné, da Universidade Nacional de Río Negro, concluiu que pelo menos um dos espécimes era um adulto sexualmente maduro que teria cerca de meio metro de altura.

O nome faz referência aos pelendonos, um povo celta que habitava a região da descoberta na Antiguidade. A expressão pode ser traduzida como “forrageador pelendono leve”, destacando tanto o comportamento alimentar quanto o pequeno porte do animal.

Além do tamanho reduzido, a espécie apresenta características anatômicas incomuns. Os dentes, a mandíbula e as patas traseiras têm formas diferentes das observadas em outros ornitópodes conhecidos. O estudo descreve essas estruturas em detalhes, pois elas são essenciais para entender como o animal se alimentava e se locomovia.

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