
Um artigo publicado este mês no periódico científico The Astrophysical Journal indica que o centro da Via Láctea pode abrigar um objeto de magnetismo extremo. Os autores do novo estudo identificaram sinais de um pulsar girando rapidamente na região central da galáxia, próximo ao buraco negro Sagitário A*.
Pulsares são um tipo especial de estrela de nêutrons – remanescentes extremamente densos deixados pelo colapso de estrelas muito mais massivas que o Sol (geralmente, entre 10 e 30 vezes mais) após explosões de supernova. Ao girarem rapidamente, eles emitem feixes regulares de radiação que podem ser detectados da Terra como pulsos periódicos, variando de milésimos de segundos a segundos.
Os campos magnéticos dos pulsares estão entre os mais fortes do Universo conhecido. Eles podem ser bilhões de vezes mais intensos que o campo magnético terrestre. Essa combinação de rotação rápida e magnetismo extremo transforma o pulsar em um verdadeiro farol cósmico.
O centro galáctico é uma região turbulenta, cheia de poeira, gás e estrelas. Por isso, os cientistas esperam encontrar ali uma grande quantidade de pulsares. No entanto, observar esses objetos não é simples. A poeira interestelar bloqueia grande parte da luz visível. Já as ondas de rádio conseguem atravessar essa barreira com muito mais eficiência.
Foi justamente analisando sinais de rádio que a equipe do projeto Breakthrough Listen, iniciativa internacional ligada ao Instituto SETI dedicada à busca por possíveis sinais tecnológicos de civilizações extraterrestres, encontrou o novo candidato. Entre 2021 e 2023, os pesquisadores utilizaram o radiotelescópio Green Bank, na Virgínia Ocidental, nos EUA, um dos mais sensíveis do planeta. As observações revelaram um objeto girando cerca de 122 vezes por segundo.
O candidato recebeu o nome de Breakthrough Listen Pulsar (BLPSR). Apesar da alta sensibilidade do levantamento, apenas esse possível pulsar foi identificado na região estudada. Os cientistas esperavam detectar uma parcela maior da população prevista. Essa diferença levanta dúvidas sobre quantos desses objetos realmente existem no coração da galáxia. O sinal segue sob análise para confirmação.
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