Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de junho de 2026 · 2 min de leitura ·

O lixo invisível da Copa do Mundo: figurinhas podem demorar até 100 anos para se decompor

O lixo invisível da Copa do Mundo: figurinhas podem demorar até 100 anos para se decompor

O consumo de figurinhas ligadas ao álbum da Copa do Mundo 2026 voltou a chamar atenção por um efeito pouco perceptível no dia a dia, mas relevante do ponto de vista ambiental: o descarte do chamado liner, material que protege a parte adesiva das figurinhas e é jogado fora após a abertura dos pacotes.

Durante a Copa de 2022, um levantamento citado pelo G1 indicou que cerca de 6,7 milhões de pacotes foram vendidos em um recorte inicial de comercialização. Cada pacote reunia sete figurinhas, o que ampliou significativamente o volume de resíduos associados ao produto.

A partir desses dados, a estimativa chegou a aproximadamente 47 milhões de figurinhas e cerca de 11,7 toneladas de papel liner no período analisado. Especialistas alertam que esse tipo de resíduo tende a ir para aterros sanitários, onde o problema mais crítico aparece: a decomposição pode levar até 100 anos, já que o material tem uma camada de silicone que dificulta sua quebra natural e impede um reaproveitamento eficiente na cadeia comum de reciclagem.

O papel liner utilizado na produção das figurinhas possui uma camada de silicone que dificulta o reaproveitamento em processos tradicionais de reciclagem. Embora tecnicamente possível em alguns casos, o tratamento exige estrutura específica, alto custo e logística limitada.

Em entrevista ao G1, Fabrício Stocker, professor e pesquisador da Fundação Getulio Vargas, afirma que o problema não está apenas na possibilidade de reciclagem, mas na chamada reciclabilidade, ou seja, na viabilidade prática de transformar o material em novo produto dentro da cadeia existente.

Ele afirma que a ausência de infraestrutura em escala nacional faz com que grande parte desse resíduo não seja reaproveitada. Em condições comuns de descarte, o material segue para aterros, onde permanece por longos períodos e contribui para emissões associadas à decomposição de resíduos sólidos.

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