Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

O que a ciência já sabe sobre o desaparecimento de lagos no Ártico

O que a ciência já sabe sobre o desaparecimento de lagos no Ártico

O Ártico está passando por uma transformação rápida e silenciosa que intriga cientistas há décadas. Lagos inteiros, que existiam há milhares de anos, estão simplesmente desaparecendo da paisagem em questão de dias ou semanas, deixando para trás apenas crateras de solo úmido e vegetação em mudança.

O sumiço dessas massas de água não é mágica, mas sim um sinal geológico preocupante. À medida que as temperaturas globais sobem, o solo congelado, conhecido como permafrost, começa a ceder. Esse solo atua como uma “tampa” impermeável que segura a água na superfície; quando ele derrete ou racha, a água escoa rapidamente para o subsolo, como se alguém tivesse tirado o ralo de uma banheira gigante.

Dados da NASA de 2005 já apontavam que, em certas regiões da Sibéria e do Alasca, o número de lagos diminuiu drasticamente. A pesquisa indica que o degelo do permafrost está criando canais de drenagem subterrâneos, acelerando o esvaziamento desses reservatórios naturais e alterando permanentemente o ecossistema local.

Diferentemente do derretimento gradual que ocorre na superfície das geleiras, o que acontece no subsolo do Ártico é muitas vezes um processo de “degelo abrupto”. Esse mecanismo é mais agressivo e imprevisível. O permafrost é composto por terra, rochas e matéria orgânica mantidos juntos pelo gelo. Quando esse gelo derrete, a estrutura do solo colapsa, criando depressões irregulares no terreno.

Esse colapso cria caminhos novos e inesperados para a água. Em alguns casos, isso forma novos lagos temporários, mas, na maioria das observações recentes em áreas de permafrost descontínuo, o resultado final é a drenagem completa. A água migra para lençóis freáticos mais profundos ou flui para rios, secando a superfície. Isso transforma o que era um habitat aquático rico em uma tundra seca ou em áreas pantanosas de transição, forçando a fauna local a se adaptar rapidamente ou migrar.

A consequência mais alarmante desse processo não é apenas a mudança na paisagem física, mas o que é liberado na atmosfera. O permafrost armazena quantidades gigantescas de carbono orgânico — restos de plantas e animais congelados por milênios. Quando o solo descongela e os lagos drenam ou se formam, micróbios começam a decompor essa matéria orgânica, liberando gases de efeito estufa potentes.

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