Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de novembro de 2020 · 2 min de leitura ·

Observatório amador brasileiro fotografa novas manchas solares

Observatório amador brasileiro fotografa novas manchas solares

O Observatório Dumont, localizado em Patos de Minas (MG) e operado pelo astrônomo amador Gilberto de Melo Dumont, flagrou novas manchas na superfície do Sol – tão grandes que comportam dez planetas Terra colocados lado a lado. Essa atividade solar é esperada no início do novo ciclo da estrela.

As fotos foram feitas nesta sexta-feira (6) pelo próprio Gilberto, utilizando uma câmera planetária conectada em foco primário em um dos telescópios do observatório, com 200 mm de abertura. Ainda foi utilizado um filtro solar específico para este tipo de observação. A mancha, denominada AR 2781, está ativa desde a última terça-feira (3).

O Sol passa por ciclos de atividade a cada 11 anos aproximadamente, e à medida que sua atividade aumenta, mais manchas cruzam sua superfície. São essas manchas que dão origem a explosões solares, como a ejeção de massa coronal ou o lançamento de radiação e partículas carregadas pelo Sistema Solar.

O efeito disso aqui na Terra varia entre a ocorrência de auroras boreais, interferências no nosso sistema de satélites até o desligamento da rede elétrica no solo. A alternância entre ciclo é causada pela mudança gradual do campo magnético do Sol – como a estrela gira aproximadamente uma vez a cada 27 dias, seu material interno age como um fluido, de modo que seu equador gira muito mais rápido do que seus polos.

Essa rotação faz com que seus poderosos campos magnéticos se tornem progressivamente mais “emaranhados” –  e suas manchas solares e outras atividades magnéticas mais violentas –  até que a estrela inteira inverta sua polaridade magnética. É como se a Terra trocasse seus polos magnéticos Norte e Sul a cada poucos anos.

As manchas solares visíveis são causadas por distúrbios magnéticos que deslocam sua camada externa brilhante e revelam as camadas internas um pouco mais frias (e mais escuras). As manchas podem durar dias ou semanas e variar em tamanho, mas geralmente são muito maiores que a Terra inteira.

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