Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de abril de 2026 · 2 min de leitura ·

Oceanos podem ter abrigado polvos gigantes de quase 20 metros na Pré-História

Oceanos podem ter abrigado polvos gigantes de quase 20 metros na Pré-História

Um artigo publicado na revista Science na última quinta-feira (23) apresenta evidências de que polvos gigantes podem ter dominado os oceanos há cerca de 100 milhões de anos. 

Conduzida por cientistas da Universidade de Hokkaido, no Japão, a pesquisa sugere que os primeiros polvos conhecidos não eram apenas animais discretos do fundo do mar, mas grandes predadores capazes de ocupar o topo da cadeia alimentar marinha ao lado de grandes répteis e peixes do período Cretáceo.

Os polvos atuais são animais de corpo mole, o que dificulta a formação de fósseis. Por isso, reconstruir sua evolução é um desafio para a ciência. Para contornar essa limitação, os pesquisadores analisaram principalmente mandíbulas fossilizadas, estruturas duras que têm maior chance de preservação ao longo de milhões de anos. Esses fragmentos permitiram acessar informações antes desconhecidas sobre espécies antigas.

Usando tomografia de alta resolução e modelos de inteligência artificial, a equipe identificou mandíbulas escondidas em rochas do Cretáceo Superior, período que vai de 100 a 72 milhões de anos. Os fósseis foram encontrados no Japão e na Ilha de Vancouver, preservados em sedimentos de fundo marinho que ajudaram a manter detalhes finos de desgaste e estrutura.

Os fósseis pertencem a um grupo extinto de polvos com barbatanas, conhecidos como Cirrata. A análise indicou que esses animais eram predadores ativos, com capacidade de esmagar presas de casca dura usando mordidas fortes. O formato e o desgaste das mandíbulas sugerem comportamento de caça intenso e repetitivo.

Em um comunicado, o professor Yasuhiro Iba afirmou que os dados indicam que esses polvos poderiam atingir até quase 20 metros de comprimento total, superando até mesmo grandes répteis marinhos do período. Segundo ele, as evidências apontam para animais que ocupavam o topo da cadeia alimentar nos oceanos do Cretáceo.

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