
Pinturas rupestres e inscrições em pedras costumam revelar aspectos importantes sobre a vida, as crenças e os conhecimentos de povos antigos. Um exemplo é um estudo publicado no ano passado na revista Cadernos de Astronomia, periódico ligado à Universidade Federal do Espírito Santo, que investiga possíveis registros de supernovas em gravuras encontradas no Nordeste brasileiro.
A pesquisa revela que povos indígenas da região podem ter representado explosões estelares extremamente brilhantes em petróglifos e pinturas rupestres localizados principalmente na Paraíba e no Rio Grande do Norte. O trabalho reúne conhecimentos de Astronomia, Arqueologia e Antropologia para comparar registros históricos com símbolos gravados em rochas.
Os autores analisaram relatos de supernovas observadas por chineses, árabes e europeus ao longo dos últimos dois mil anos. Depois, utilizaram softwares astronômicos para reconstruir o céu da época dessas explosões e verificar se a posição do Sol, da Lua e das estrelas coincide com os desenhos encontrados nos sítios arqueológicos brasileiros.
O estudo não afirma ter encontrado provas definitivas, mas aponta evidências sugestivas. Um dos principais focos é a supernova registrada no ano de 1054, responsável pela formação da famosa Nebulosa do Caranguejo. O fenômeno foi tão intenso que chegou a ser visível durante o dia em algumas partes do planeta.
Entre os locais analisados estão os sítios arqueológicos Lagoa do Escuro, Lameirão I e Toca dos Astros. Neles aparecem figuras que podem representar astros muito brilhantes próximos da Lua ou do Sol. Os pesquisadores destacam, porém, que ainda existem desafios importantes, como a ausência de datação precisa das gravuras.
Outro ponto considerado essencial é interpretar os símbolos dentro do contexto cultural dos povos originários, especialmente os Tarairiú. Mesmo sem conclusões definitivas, o trabalho abre espaço para uma discussão inovadora sobre a possibilidade de antigos habitantes do Brasil terem registrado fenômenos astronômicos raros e impressionantes.
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