Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Onda gravitacional incomum pode indicar a existência de buracos negros primordiais

Onda gravitacional incomum pode indicar a existência de buracos negros primordiais

Uma detecção incomum de ondas gravitacionais levantou a hipótese da existência de buracos negros primordiais. O alerta vem do Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (LIGO) e do Observatório Europeu de Interferometria Laser (Virgo), que registraram uma fusão fora dos padrões conhecidos. 

Um dos objetos parecia leve demais para ser um buraco negro comum. Se confirmado, o evento, designado S251112cm, pode revelar um tipo de corpo cósmico ainda desconhecido.

À revista Science, Djuna Croon, teórico de astropartículas da Universidade de Durham, na Inglaterra, que não participou da observação, disse que o sinal não combina com os processos já conhecidos de formação de objetos densos. A novidade, no entanto, exige cautela. Para Christopher Berry, astrônomo de ondas gravitacionais e membro do LIGO na Universidade de Glasgow, na Escócia, também pode ser ruído do detector. “Uma descoberta inovadora ou apenas um alarme falso? Só o tempo (e mais análises) dirá”, publicou Berry no Bluesky, poucas horas após a detecção.

Ondas gravitacionais são pequenas ondulações no espaço geradas quando dois objetos muito densos giram em espiral até se fundirem. Detectá-las exige equipamentos gigantescos e extremamente precisos. O LIGO opera nos EUA com dois interferômetros em forma de L, cada um com braços de quatro quilômetros. Já o Virgo, na Itália, utiliza braços de três quilômetros. Uma onda que passa altera a distância entre esses braços em escalas minúsculas, e essa diferença é identificada pela interferência da luz laser dentro do equipamento.

Desde 2015, os dois observatórios já registraram mais de 300 eventos. A maioria corresponde a fusões de buracos negros, enquanto uma parte menor envolve estrelas de nêutrons. Todos esses objetos tinham massas iguais ou maiores que a do Sol. Estrelas de nêutrons costumam ter entre 1,1 e 2,2 massas solares, e buracos negros de origem estelar podem ter dezenas de massas solares.

O novo alerta chamou atenção justamente porque saiu desse padrão. As análises iniciais indicaram que ao menos um dos objetos envolvidos possuía menos de uma massa solar. Isso nunca havia sido observado e não bate com o modelo tradicional de formação de buracos negros, que nasce do colapso de estrelas bem maiores que o Sol. Por isso, alguns cientistas passaram a considerar a possibilidade de buracos negros primordiais.

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