
Um artigo publicado nesta terça-feira (28) no periódico científico Astrophysical Journal Letters relata a detecção de dois buracos negros recém-formados, cada um nascido a partir da colisão e fusão de outros dois.
As colisões geraram ondas gravitacionais – pequenas distorções no espaço-tempo – que foram registradas pelos observatórios LIGO, Virgo e KAGRA. A análise desses sinais permitiu aos cientistas identificar características inéditas sobre a formação e o comportamento desses objetos extremos do Universo.
O primeiro evento, identificado como GW241011, foi detectado em 11 de outubro de 2024. Ele ocorreu a cerca de 700 milhões de anos-luz da Terra e resultou da fusão entre um buraco negro com 17 vezes a massa do Sol e outro com aproximadamente sete massas solares. Os pesquisadores descobriram que o maior dos dois estava girando em uma velocidade excepcional, tornando-se um dos buracos negros com rotação mais rápida já observados.
Menos de um mês depois, em 11 de novembro, os instrumentos voltaram a captar outro evento, batizado de GW241110. Esse segundo sinal veio de uma colisão entre buracos negros de 16 e oito massas solares, a 2,4 bilhões de anos-luz de distância. A análise mostrou que um deles estava girando no sentido oposto à sua órbita, o que nunca havia sido registrado antes em sistemas desse tipo.
Em um comunicado, Carl-Johan Haster, astrofísico da Universidade de Nevada, nos EUA, cada nova detecção é uma oportunidade de entender melhor o Universo. Ele explica que essas fusões funcionam como “laboratórios naturais”, permitindo testar as leis fundamentais da física, especialmente a teoria da relatividade geral de Albert Einstein, proposta em 1915.
As duas fusões sugerem que os buracos negros observados pertencem à chamada segunda geração, ou seja, são descendentes de buracos negros formados por fusões anteriores. Isso fica evidente pela diferença de tamanho entre eles: os maiores têm quase o dobro da massa dos menores e giram muito rapidamente. Essas características indicam que eles cresceram a partir de encontros sucessivos, num processo chamado de “fusão hierárquica”.
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