Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Partícula fantasma mais poderosa de todos os tempos tem origem revelada

Partícula fantasma mais poderosa de todos os tempos tem origem revelada

Uma pesquisa publicada no Journal of Cosmology and Astroparticle Physics (JCAP) revelou uma possível origem para a partícula fantasma mais energética já registrada pela ciência. O neutrino foi detectado no Mar Mediterrâneo em 2023 e surpreendeu pesquisadores pela energia extremamente elevada. 

Segundo o estudo, a partícula foi gerada por blazares, fenômenos que ocorrem quando buracos negros supermassivos atraem grandes quantidades de matéria, expelindo jatos poderosos de radiação e partículas. O diferencial dos blazares é que esses ‘feixes’ de energia estão apontados em direção à Terra, criando um trajeto direto que permite que essas partículas ultraenergéticas alcancem o nosso planeta.

O neutrino analisado pelos cientistas impressionou pela potência. Com cerca de 30 vezes mais energia do que o neutrino mais energético registrado anteriormente, a partícula chegou à Terra em 13 de fevereiro de 2023, viajando praticamente à velocidade da luz após percorrer distâncias gigantescas pelo Universo.

A detecção foi feita pelo KM3NeT, um observatório submarino instalado a cerca de 3.450 metros de profundidade no Mar Mediterrâneo. O sistema conseguiu identificar a passagem do neutrino ao detectar um múon, partícula subatômica gerada quando esse tipo de interação ocorre. 

Os neutrinos são apelidados de “partículas fantasmas” porque quase não interagem com a matéria. Eles não possuem carga elétrica e apresentam massa extremamente pequena. Por causa disso, conseguem atravessar estrelas, planetas e até o corpo humano sem praticamente sofrer alterações em sua trajetória.

Trilhões dessas partículas atravessam a Terra constantemente sem serem percebidas, o que torna sua detecção extremamente difícil. Mesmo observatórios gigantescos conseguem registrar poucos eventos desse tipo, principalmente quando envolvem energias tão elevadas quanto a observada em 2023.

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