Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Pedras preciosas em Marte? Rover faz descoberta inédita com laser no Planeta Vermelho

Pedras preciosas em Marte? Rover faz descoberta inédita com laser no Planeta Vermelho

Enquanto escalava a borda de uma cratera de 4 bilhões de anos, o rover Perseverance da NASA encontrou algo que nenhum robô explorador havia visto antes em Marte: uma assinatura química que, na Terra, corresponde a pedras preciosas como rubis e safiras.

A descoberta foi apresentada em 16 de março na 57ª Conferência de Ciências Lunares e Planetárias, no Texas, e está em processo de revisão para publicação na revista Geophysical Research Letters. A história começa com um punhado de “rochas flutuantes” — blocos de cor clara que pareciam fora de lugar na paisagem marciana, provavelmente transportados para ali por impactos, atividade geológica ou processos hídricos.

Diante da curiosidade, os cientistas fizeram o que sabem de melhor: apontaram o laser da SuperCam, no topo do mastro do Perseverance, e bombardearam as rochas com pulsos de luz verde.

Quando um mineral é excitado por laser, ele emite luz em comprimentos de onda específicos — uma impressão digital química que revela sua composição. Em três das rochas analisadas, a assinatura foi inequívoca: coríndon, um mineral composto de alumínio e oxigênio, com inclusões de cromo.

“Os diferentes tipos de coríndon são definidos pela sua composição química”, explicou Valerie Payré, geóloga planetária da Universidade de Iowa e coautora do estudo. “Embora o coríndon seja composto de Al₂O₃, ele pode conter elementos minoritários como cromo, titânio e ferro. Esses elementos darão cor ao mineral e também o seu nome.”

Em outras palavras: cromo produz rubis vermelhos; ferro e titânio produzem safiras azuis. O problema é que os cristais encontrados pelo Perseverance são pequenos demais para serem vistos com precisão — menos de 0,2 milímetro de diâmetro —, e a quantidade exata de cromo não pôde ser medida. Por isso, os pesquisadores se recusaram a chamá-los de rubis ou safiras, preferindo o termo genérico “coríndon”.

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