
Um estudo revela que os recifes de corais de Fernando de Noronha e do arquipélago de São Pedro e São Paulo, dois conjuntos de ilhas oceânicas brasileiras, são ameaçados pelos resíduos de plástico e de apetrechos de pesca abandonados. Os ecossistemas apresentam grande biodiversidade e estão entre aqueles com maior quantidade de lixo, ao lado de recifes de Comores (África Ocidental) e das Filipinas.
Apesar de se serem locais mais distantes dos grandes centros urbanos, Fernando de Noronha e o arquipélago de São Pedro e São Paulo estão sofrendo com os impactos provocados pela presença do lixo humano.
A gente mergulhava nesses locais, achando que ia explorar um ambiente completamente desconhecido, mas, na verdade, já tinha evidências de impacto humano nessas regiões, com muito lixo e material de pesca.
Mas não são apenas os resíduos que ameaçam a biodiversidade nos corais. A descoberta desse lixo de pesca nesses recifes, afastados da costa, revelam que há grande atividade pesqueira também nessas áreas.
Tem essa tendência da pesca ir cada vez mais longe para tentar manter o lucro e a rentabilidade que eles tinham. Vai exaurindo os recursos mais próximos [da costa] e eles vão se afastando. Existe uma característica muito comum de pesca desses ambientes. Quando os pescadores encontram essas áreas [recifais, com grande riqueza de peixes], eles conseguem exaurir todas as espécies comerciais.
Em Noronha, por exemplo, nas décadas de 1960 e 1970, houve excesso de pesca do pargo (Lutjanus purpureus), provocando seu desaparecimento na área. Apenas recentemente, pesquisadores voltaram a encontrar indivíduos da espécie.
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