Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Polos magnéticos da Terra podem ter sofrido inversões ignoradas

Polos magnéticos da Terra podem ter sofrido inversões ignoradas

Um artigo publicado nesta segunda-feira (23) na revista Geophysical Research Letters aponta que o registro das inversões dos polos magnéticos da Terra está incompleto. A análise indica que algumas trocas entre norte e sul magnéticos não foram identificadas ao longo do tempo geológico. 

Desde a formação do planeta, os polos magnéticos já se inverteram diversas vezes. Em vários períodos, o atual polo norte magnético ocupou a posição do sul, e vice-versa. Essas mudanças não seguem intervalos regulares. No fim do Jurássico, por exemplo, ocorriam em média a cada 100 mil anos, mas depois se tornaram menos frequentes.

Em certos momentos da história da Terra, as inversões praticamente desapareceram dos registros. O caso mais conhecido é o Supercrono Normal do Cretáceo, intervalo de cerca de 37 milhões de anos sem inversões identificadas. Nesse período, o campo magnético permaneceu estável por tempo excepcionalmente longo.

As causas dessas inversões ainda não são totalmente compreendidas. Isso dificulta prever quando ocorrerá a próxima mudança. Embora não haja evidências sólidas de que inversões estejam ligadas a extinções em massa, uma alteração no campo magnético teria impacto sobre tecnologias que dependem de satélites e sistemas de navegação.

Para investigar falhas no registro geológico, os pesquisadores aplicaram uma técnica estatística chamada estimativa adaptativa de densidade de kernel (AKDE, na sigla em inglês). O método permite detectar padrões que não aparecem de forma evidente nas análises tradicionais. O objetivo foi identificar possíveis inversões ignoradas nas cronologias existentes.

As principais evidências dessas mudanças vêm de rochas vulcânicas ricas em ferro. Quando a lava esfria, minerais magnéticos se alinham ao campo vigente. Nas dorsais meso-oceânicas, esse processo forma faixas alternadas, conhecidas como “listras de zebra”, que registram períodos de polaridade normal e invertida.

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