
Um aditivo utilizado para evitar chamas em plásticos e tecidos pode afetar o meio ambiente e a nossa saúde. O nome é difícil: tetrabromobisfenol A (TBBPA). Esse composto, ao chegar ao meio ambiente, apresenta efeitos tóxicos e cancerígenos.
O TBBPA se desprende das superfícies com o desgaste natural dos produtos e chega até o ar, poeira, e demais superfícies, atingindo as redes de esgotos. Uma pesquisa orientada pelo professor Marcelo Zaiat, na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, obteve avanços importantes no uso de biossistemas para tratamento de esgotos, focando na degradação desse poluente.
A conclusão desta pesquisa está na tese de doutorado de Williane Macêdo. O projeto foi defendido no EESC e recebeu menção honrosa no Prêmio Capes de Tese 2023, na categoria Engenharias I, dando origem a seis artigos científicos.
Pesquisadores utilizaram uma combinação de técnicas de análise genética para identificar microrganismos capazes de degradar o TBBPA.
Biossistemas anaeróbios são aqueles nos quais microrganismos consomem a matéria orgânica sem a presença de oxigênio dissolvido no meio. […] Vários grupos microbianos, por meio de respiração anaeróbia ou fermentação, atuam neste sistema, que se dá em várias etapas metabólicas, tendo como produto o biogás, composto majoritariamente por metano e dióxido de carbono.
Segundo a pesquisadora Williane Macêdo, estudos realizados em ratos mostram que o aditivo está ligado ao desenvolvimento de câncer e é causador de efeitos tóxicos para o sistema imunológico e nervoso em organismos aquáticos. Ela ainda aponta que o TBBPA também está associado à mutação genética em sapos e fica acumulado no tecido de peixes.
Entre para comentar.