Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Por que o ser humano virou bípede?

Por que o ser humano virou bípede?

Um artigo publicado recentemente na revista Nature desvenda como minúsculas mudanças genéticas moldaram o quadril humano, evoluindo para que pudéssemos andar sobre dois pés e impactando a saúde e o parto.

Segundo a pesquisa, apenas duas modestas alterações no DNA humano desempenharam um papel fundamental na transição de nossos ancestrais para a caminhada ereta. O estudo detalha como esses ajustes genéticos alteraram crucialmente a forma como um osso vital do quadril se desenvolveu.

Essa adaptação permitiu que os primeiros humanos permanecessem de pé, mantivessem o equilíbrio e se movessem sobre duas pernas, um marco evolutivo que os diferenciou dos demais primatas que se deslocavam sobre quatro apoios. A equipe de pesquisadores, liderada pelo biólogo evolucionista Terence Capellini da Universidade de Harvard, EUA, desvendou esses mistérios ao combinar análises microscópicas e imagens de tomografia computadorizada de tecidos pélvicos em desenvolvimento de humanos, chimpanzés e ratos.

Os pesquisadores apontam duas transformações principais na evolução da pelve humana. A primeira foi uma rotação de 90 graus no ílio, que alterou a posição dos músculos e converteu uma estrutura antes usada para escalar em uma base adaptada à locomoção ereta. 

A segunda mudança foi um atraso na ossificação do ílio, permitindo que o osso crescesse por mais tempo e se expandisse lateralmente, resultando em uma pelve mais larga e arredondada – formato típico dos humanos modernos.

Essas transformações foram “essenciais para a criação e o reposicionamento de músculos que normalmente ficam nas costas do animal, impulsionando-o para a frente, e que agora estão nas laterais, ajudando-nos a manter o equilíbrio ao caminhar”, explicou o coautor do estudo, Terence Capellini, ao site Science News, destacando o impacto direto na mecânica da locomoção bípede. 

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