
Os crânios de bebês são naturalmente maleáveis nos primeiros meses de vida. Segundo cientistas, isso acontece, em primeiro lugar, para facilitar o parto. Outra vantagem da condição é permitir o crescimento do cérebro.
No livro The Mountain Embodied (a montanha incorporada), o antropólogo Matthew Velasco, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, detalha que os povos antigos do Peru sabiam disso. E que realizavam modificações cranianas nos recém-nascidos.
Segundo reportagem do The New York Times, a tradição fazia parte das culturas collaguas e cavanas, povos vizinhos que viviam no Vale Colca, nas terras altas do Peru. O livro aponta que estas populações antigas, consideradas as primeiras da região, acreditavam que ter uma testa inclinada era uma característica vantajosa.
Durante o período de 1100 a 1450, os collaguas empregaram métodos para fazer com que suas cabeças assumissem uma forma mais longa e estreita. Os cavanas, por sua vez, tinham como objetivo tornar suas cabeças largas e achatadas. Com o tempo, o aspecto alongado dos collaguas tornou-se o estilo dominante de modificação craniana na região.
Essas alterações resultavam em crânios que imitavam as silhuetas de montanhas sagradas para suas respectivas culturas. Velasco cita um escriba e tradutor espanhol do século XVI que escreveu que os collaguas usavam chapéus altos sem aba e modelavam as formas de suas cabeças para homenagear um vulcão distante que consideravam seu lar ancestral. Já os cavanas esculpiam os crânios de seus bebês em tributo a um pico coberto de neve que se erguia sobre sua cidade.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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