Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de outubro de 2023 · 2 min de leitura ·

Pré-história: mulheres caçavam melhor do que os homens, revela estudo

Pré-história: mulheres caçavam melhor do que os homens, revela estudo

A teoria do Homem Caçador propõe que a caça foi um dos principais motores da evolução humana. Também aponta para a primeira forma de divisão de trabalho, na qual os homens evoluíam para caçar e prover, e as mulheres cuidavam dos filhos e dos afazeres domésticos. Isso porque os machos seriam fisicamente superiores e a gravidez e a criação dos filhos reduziriam ou eliminariam a capacidade de caça das fêmeas. Esse entendimento foi difundido por séculos, mas evidências revelam o contrário.

Enquanto as fêmeas podem realizar esforços de resistência com maior facilidade, os machos se destacam em atividades curtas e de explosão, caso do levantamento de peso. Grande parte desta diferença se deve ao hormônio estrogênio.

O receptor de estrogênio tem cerca de 1,2 bilhão a 600 milhões de anos, sendo aproximadamente duas vezes mais velho que o receptor de testosterona. Além de ajudar a regular o sistema reprodutivo, o estrogênio influencia o controle motor fino e a memória, melhora o crescimento e o desenvolvimento dos neurônios e ajuda a prevenir o endurecimento das artérias.

O estrogênio também melhora o metabolismo da gordura. Durante o exercício, ele incentiva o corpo a usar a gordura armazenada para energia antes dos carboidratos. A gordura contém mais calorias por grama do que os carboidratos, por isso queima mais lentamente, o que pode atrasar a fadiga durante a atividade de resistência.

Não só o estrogênio incentiva a queima de gordura, mas também promove um maior armazenamento de gordura dentro dos músculos, o que torna a energia dessa gordura mais prontamente disponível. A adiponectina, outro hormônio que normalmente está presente em quantidades mais altas em mulheres do que em homens, aumenta ainda mais o metabolismo da gordura, poupando carboidratos para uso futuro, e protege o músculo da quebra. Um estudo da Universidade de Stanford descobriu que as mulheres usam até 70% mais gordura para energia durante o exercício do que os homens.

Correspondentemente, as fibras musculares das fêmeas diferem das dos machos. As mulheres têm mais fibras musculares do tipo I, ou de “contração lenta”, que geram energia lentamente usando gordura. São as fibras musculares de resistência. Os homens, por sua vez, normalmente têm mais fibras do tipo II (“contração rápida”), que usam carboidratos para fornecer energia rápida e uma grande quantidade de energia, mas se cansam rapidamente.

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