Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Prepare-se para um verão um pouco diferente no Brasil

Prepare-se para um verão um pouco diferente no Brasil

O verão começa oficialmente neste domingo (21), às 12h03. E já chega com um recado dos meteorologistas: vai fazer mais calor do que o normal, enquanto a chuva deve ficar um pouco abaixo da média em boa parte do Brasil. É o tipo de combinação que ajuda a explicar por que a estação tende a ser mais abafada e irregular.

O pano de fundo desse verão é diferente dos últimos anos. Não há El Niño nem La Niña em ação. No lugar, entra o sistema de Alta Pressão Subtropical do Atlântico Sul (ASAS). É ele que deve ditar o ritmo das temperaturas e das chuvas ao longo da estação, trazendo mais calor, períodos secos e pancadas de chuva mal distribuídas.

Ao contrário de verões marcados por fenômenos globais no Pacífico, o verão 2025/2026 ocorre majoritariamente sob neutralidade climática. O episódio de La Niña, que ainda influenciou a primavera, deve perder força até o fim de janeiro. Isso significa que, na maior parte da estação, o Pacífico não será o principal motor do clima no Brasil.

Esse vácuo abre espaço para a atuação mais intensa da ASAS, grande sistema de alta pressão atmosférica que fica entre o Brasil e a África e influencia o clima do país o ano inteiro. Quando ela se posiciona mais próxima do continente, como deve acontecer neste verão, passa a interferir diretamente no padrão de chuva e temperatura.

Na prática, a ASAS age como um bloqueio. Por ser uma área de alta pressão, deixa o ar mais seco, reduz a formação de nuvens e dificulta a organização de grandes áreas de instabilidade (aquelas responsáveis por dias seguidos de chuva). O resultado é um verão com menos chuva contínua e mais sol forte.

Esse comportamento favorece a ocorrência dos chamados veranicos, períodos de vários dias seguidos de calor acima do normal e pouca ou nenhuma chuva. Em alguns momentos, especialmente no Sul e em áreas do Centro-Oeste, esses episódios podem evoluir para ondas de calor, com temperaturas elevadas persistentes.

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