Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de abril de 2025 · 2 min de leitura ·

Projeto quer sugar carbono do oceano para frear aquecimento

Projeto quer sugar carbono do oceano para frear aquecimento

Um projeto experimental no sul da Inglaterra está testando uma nova abordagem para lidar com o excesso de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera: capturá-lo diretamente da água do mar. Chamado de SeaCURE, o sistema foi instalado discretamente atrás do Weymouth Sealife Centre e conta com financiamento do governo britânico.

A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para desenvolver tecnologias de remoção de carbono, complementares à redução de emissões, que seguem sendo a principal prioridade no combate às mudanças climáticas.

Embora a maioria dos projetos de captura de carbono foque na extração de gases da atmosfera ou diretamente das fontes de emissão, o SeaCURE aposta na água como meio mais eficiente. Isso porque o oceano contém cerca de 150 vezes mais carbono dissolvido do que o ar, o que pode tornar a tecnologia mais eficaz — ao menos em teoria.

O processo começa com a captação da água do mar por meio de um cano que se estende pelo Canal da Mancha. Uma vez bombeada para terra firme, parte da água é tratada para ficar mais ácida, o que facilita a liberação do CO₂ em forma gasosa. O gás é então extraído do ar por um sistema que usa carvão ativado feito de casca de coco.

Após essa etapa, a água é neutralizada com adição de alcalinos e devolvida ao mar. O ciclo se fecha com a água “limpa” de CO₂ começando a absorver novamente o gás da atmosfera, reiniciando o processo.

O professor Tom Bell, do Plymouth Marine Laboratory, compara o procedimento à abertura de um refrigerante: “Quando você abre uma bebida gaseificada, ela borbulha — isso é o CO₂ saindo”, explicou à BBC. “Fazemos algo semelhante ao espalhar a água do mar sobre uma superfície ampla para acelerar essa liberação.”

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