Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Releitura de dados revoluciona busca por vida na maior lua de Saturno

Releitura de dados revoluciona busca por vida na maior lua de Saturno

Uma reanálise de medições da missão Cassini, da NASA, publicada nesta quarta-feira (17) na revista Nature por uma equipe liderada pela agência com pesquisadores da Universidade de Washington, EUA, conclui que Titã – a maior lua de Saturno – provavelmente não abriga um vasto oceano líquido sob sua crosta gelada. 

Em vez disso, o interior do corpo celeste deve ser dominado por uma camada espessa e viscosa, semelhante a lama gelada, com túneis e bolsões de água de degelo próximos ao núcleo rochoso. 

A descoberta partiu do estudo do “atraso” nas marés de Titã à medida que a lua é comprimida e esticada pela gravidade de Saturno, o que revelou uma dissipação de energia incompatível com um oceano global. 

Desde a década de 2000, dados de rádio e gravidade da sonda Cassini sugeriam que as marés de Titã eram grandes demais para um corpo totalmente congelado, levando à hipótese de um oceano sob a superfície. 

No entanto, ao ajustar modelos para reproduzir as propriedades físicas observadas, os pesquisadores perceberam que um oceano global não explicava tudo. O fator decisivo veio quando a equipe incorporou o tempo à análise: a deformação máxima de Titã ocorre com atraso em relação ao pico da atração gravitacional de Saturno – como mover mel com uma colher, em que a resposta é mais lenta que a da água.

Medir esse atraso permitiu estimar quanta energia se perde ao “amassar” Titã a cada órbita. O resultado foi surpreendente. “Ninguém esperava uma dissipação de energia tão forte no interior de Titã. Essa foi a prova cabal de que o interior de Titã é diferente do que se inferia de análises anteriores”, afirmou Flavio Petricca, pesquisador de pós-doutorado no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da NASA, e autor principal do estudo, em um comunicado.

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