
Rochas vulcânicas formadas há cerca de 560 milhões de anos, no sul do Marrocos, revelam que o campo magnético da Terra não era tão instável quanto se acreditava. Em vez de variações aleatórias, ele seguia ciclos de enfraquecimento e reorganização, impulsionados por transformações no interior do planeta.
Por décadas, acreditou-se que as inversões dos polos magnéticos ocorressem de forma irregular e desordenada. Mas os minerais preservados nessas rochas – como magnetita e hematita – mostram que o magnetismo terrestre tinha um ritmo padrão, indicando uma dinâmica interna muito mais complexa do que se imaginava.
Conduzido por cientistas da Universidade de Yale, nos EUA, e publicado na revista Science Advances, o estudo analisou minuciosamente a orientação magnética registrada em camadas de rochas do período Ediacarano, entre 630 e 541 milhões de anos atrás.
Essa era geológica antecede a explosão de vida complexa no planeta e sempre intrigou os geólogos pela instabilidade do campo magnético. Em certos momentos, ele era até dez vezes mais fraco do que o atual – o que levantava dúvidas sobre como a Terra conseguiu manter sua atmosfera e o escudo protetor contra partículas solares.
As medições revelaram que as rápidas mudanças registradas nessas rochas ocorreram em um intervalo restrito, entre 568 e 562 milhões de anos atrás.
Até então, acreditava-se que as inversões de polos e as variações magnéticas levavam milhões de anos para acontecer. O novo mapeamento mostrou que esses eventos ocorreram muito mais rápido – em questão de milhares de anos.
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