
O rover Curiosity, da NASA, acaba de fazer uma descoberta que pode indicar a existência de vida extraterrestre no passado de Marte. Ao analisar amostras de rocha na cratera Gale, o veículo identificou uma mistura diversificada de moléculas orgânicas, incluindo um composto nitrogenado com estrutura semelhante a precursores de DNA — algo nunca antes detectado no Planeta Vermelho.
A pesquisa, publicada na revista Nature Communications nesta terça-feira (21) foi liderada por Amy Williams, professora da Universidade da Flórida e integrante das equipes científicas dos rovers Curiosity e Perseverance. O estudo utilizou um experimento químico inédito em outro mundo, realizado com o instrumento SAM (Análise de Amostras em Marte), a bordo do Curiosity.
O teste usou uma substância chamada TMAH, que quebra moléculas orgânicas maiores em pedaços menores, facilitando sua identificação pelos sensores do robô. Como o Curiosity só tinha duas doses do reagente, a escolha do local foi crucial: os cientistas miraram na região de Glen Torridon, dentro da cratera Gale, uma área rica em minerais argilosos. Essas argilas são conhecidas por reter e preservar compostos orgânicos melhor do que outros tipos de rocha.
A estratégia deu certo. O SAM detectou mais de 20 substâncias químicas, incluindo:
“Acreditamos que estamos diante de matéria orgânica preservada em Marte por 3,5 bilhões de anos”, disse Williams. A descoberta demonstra que o planeta vermelho pode conservar moléculas que, em tese, poderiam servir como bioassinaturas — indícios de vida passada.
Há um porém. O experimento não consegue distinguir se essas moléculas foram produzidas por processos biológicos (como bactérias antigas) ou por reações geológicas (como interações entre rochas e água quente), ou ainda se foram trazidas por meteoritos.
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