Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Sandálias de Tutancâmon: como o faraó “pisoteava” seus inimigos mesmo após a morte

Sandálias de Tutancâmon: como o faraó "pisoteava" seus inimigos mesmo após a morte

Em 1922, uma equipe liderada pelo arqueólogo britânico Howard Carter, um dos principais nomes da egiptologia do século XX, encontrou um tesouro inestimável – a tumba do faraó Tutancâmon, um dos últimos governantes da 18ª dinastia, praticamente intacta.

Entre os milhares de artefatos que acompanhariam o jovem rei em sua jornada para a vida após a morte, um par de sandálias em particular destaca-se pela simbologia poderosa e singularidade. Longe de serem meros calçados, eram uma declaração visual de poder, com representações de inimigos derrotados nas suas palmilhas, permitindo que Tutancâmon – mesmo em seu repouso eterno –  simbolicamente “pisoteasse” os adversários do Egito. 

Hoje, essas fascinantes peças podem ser admiradas no Museu Egípcio do Cairo, oferecendo um vislumbre da mentalidade real e ritualística da época.

The 3,300 years old sandals of king Tutankhamen, displayed in Egyptian museum. pic.twitter.com/Yl787UVKlo

A simbologia impressa nas sandálias de Tutancâmon vai muito além de um mero adorno. Cada detalhe narra uma história de domínio e autoridade, fundamental para a imagem de um faraó. A escolha de materiais nobres, do couro verde à folha de ouro, ressalta a importância e o status do portador, refletindo a riqueza e o artesanato sofisticado do período de Tutancâmon.

As representações dos cativos amarrados, combinadas com o símbolo dos Nove Arcos, transmitiam uma mensagem inequívoca de controle e proteção sobre o reino. Essa prática não era incomum na iconografia real egípcia, mas a aplicação em um item tão pessoal como um calçado reforça a ideia de que o faraó exercia poder de forma constante e abrangente, até mesmo a cada passo.

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