Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Sol dispara “tiro” de plasma contra visitante interestelar

Sol dispara “tiro” de plasma contra visitante interestelar

Na última semana, o cometa SWAN (C/2025 R2) quase teve sua cauda arrancada por uma rajada de vento solar. Esse tipo de desconexão é comum em cometas que cruzam o caminho de algum fluxo de material ejetado pelo Sol. Mas, em todos os casos conhecidos, o objeto afetado era nativo do Sistema Solar. Por isso, não se sabe o que aconteceria se a “vítima” fosse um visitante interestelar – mas podemos estar prestes a descobrir.

Em toda a história da observação astronômica, foram detectados apenas três objetos vindos de outras partes da nossa galáxia, a Via Láctea. Primeiro, o asteroide ‘Oumuamua, em 2017. Dois anos depois, o cometa Borisov. E, este ano, o cometa 3I/ATLAS, descoberto em julho. 

Nenhum deles foi atingido por ejeções de massa coronal (CMEs), que são jatos de plasma e campos magnéticos disparados por erupções solares. Pelo menos, não até agora. De acordo com um modelo de previsão da NASA, uma CME lançada na sexta-feira (19) vai golpear o 3I/ATLAS nesta quarta (24) ou quinta (25), fornecendo a primeira oportunidade para os astrônomos investigarem esse tipo de impacto.

Esta realmente é uma chance única, principalmente por dois motivos. Primeiro porque dentro de pouco tempo, o objeto deixará de ser visível para a Terra, já que estará do outro lado do Sol a partir do início de outubro, enquanto se dirige à aproximação máxima com o astro (ponto chamado de periélio), prevista para dia 29. Além disso, o brilho do cometa aumentou cerca de 40 vezes desde o começo deste mês.

Em 17 de setembro, os astrônomos amadores e astrofotógrafos austríacos Gerald Rhemann e Michael Jäger, conhecidos por suas contribuições de cometas, tiraram a foto abaixo. A imagem confirma o considerável aumento de brilho, com a alteração de 16 para 12 na magnitude do corpo celeste.

Quanto menor esse número, mais brilhante é o objeto. Para poder ser visto a olho nu, ele deve ter magnitude abaixo de 6 (em céus totalmente escuros) ou inferior a 2 (em céus com poluição luminosa, como de grandes centros urbanos). 

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