
Lançada em abril de 2023, pela Agência Espacial Europeia (ESA), a sonda JUICE vai levar oito anos para chegar ao destino – o planeta Júpiter. Mas, antes de alcançar o gigante gasoso para estudar as luas geladas Ganimedes, Calisto e Europa, ela tem uma missão extraordinária a cumprir: uma campanha inédita de observação do cometa 3I/ATLAS, o terceiro visitante interestelar já identificado no Sistema Solar.
Isso vai acontecer no mês que vem, de acordo com um comunicado da ESA, pouco depois que o objeto atingir o periélio (encontro mais próximo com o Sol), previsto para 29 de outubro.
A equipe da missão JUICE (sigla em inglês para “Explorador das Luas Geladas de Júpiter”) vai usar cinco instrumentos de sensoriamento remoto da espaçonave para registrar o “forasteiro”, enquanto ela trafega pelo Sistema Solar interno. Os dados, transmitidos lentamente por conta da distância e do alinhamento com a Terra, devem ser baixados somente em 2026, e prometem pistas valiosas sobre a composição e o comportamento de um corpo vindo de outra estrela da Via Láctea.
Projetada para investigar Ganimedes, Calisto e Europa (três luas de Júpiter que provavelmente escondem oceanos sob o gelo), a sonda JUICE deve entrar no sistema joviano no início da próxima década e se tornar a primeira espaçonave a orbitar uma lua de outro planeta – Ganimedes, a maior do Sistema Solar e única com campo magnético.
Para chegar lá de forma mais rápida e econômica, a missão realiza sobrevoos planejados pela Terra e por Vênus. É nesse caminho que surge a chance de acompanhar o 3I/ATLAS após seu periélio, momento em que o cometa chega ao máximo de atividade ao se aproximar do Sol.
Segundo a ESA, o período útil de observação vai da primeira à última semana de novembro, quando a geometria entre sonda, o cometa e Sol permite medições seguras sem comprometer a térmica da espaçonave. “A JUICE observará o 3I/ATLAS entre 2 e 25 de novembro. Usaremos cinco instrumentos: a câmera, o imageador no infravermelho próximo, o espectrômetro ultravioleta, o instrumento submilimétrico e um sensor para imagens de átomos neutros. Estamos muito distantes, portanto será apenas sensoriamento remoto”, explicou Olivier Witasse, cientista de projeto da agência, ao site IFLScience.
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