
O Telescópio Cosmológico do Atacama (ACT) publicou a sua última grande leva de dados, encerrando quase 20 anos de observações no deserto chileno. Os resultados, reunidos em três artigos no Journal of Cosmology and Astroparticle Physics (JCAP), fortalecem a chamada “tensão de Hubble” e ainda descartam modelos teóricos alternativos que tentavam explicar mistério sobre o Universo.
Com isso, o fim da missão não fecha uma porta, ele abre outra. Ao confirmar que nossas medidas do cosmos não batem e ao “limpar” versões estendidas do modelo cosmológico padrão, o ACT deixa o recado de que algo não está funcionando na teoria com a qual descrevemos o Universo. A missão acabou, mas o quebra-cabeça agora ficou mais claro (e mais urgente) para a comunidade científica.
A constante de Hubble funciona como um “velocímetro” do cosmos. Isso porque ela indica a taxa atual de expansão do Universo. O problema é que o número não bate quando medimos essa expansão de formas diferentes.
Observações feitas a partir da luz mais antiga do Universo apontam um valor. Já medições feitas olhando para galáxias próximas indicam outro. Essa diferença persistente é a chamada “tensão de Hubble”.
Os novos dados do ACT mostram que o valor obtido a partir da Radiação Cósmica de Fundo (RCF) coincide com o do satélite Planck. E não apenas pelos mapas de temperatura observados anteriormente, mas também pelos novos mapas de polarização.
Essa confirmação dupla torna a discrepância com observações locais mais robusta do que antes. E isso reforça que o problema não é só estatístico. É físico também.
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