
Mas você sabia que um brasileiro foi citado no documento que embasou a escolha dos vencedores deste ano? O físico Almir Caldeira desenvolveu uma teoria há mais de 40 anos que ajudou a construir o caminho que agora foi premiado.
A física quântica descreve o comportamento das partículas — como elétrons, fótons e átomos — em escalas minúsculas. Nesse contexto, as leis que conhecemos deixam de valer, e as partículas podem, por exemplo, estar em dois lugares ao mesmo tempo, atravessar barreiras sólidas e até existir em mais de um estado simultaneamente.
O fato destes mesmos efeitos nunca terem sido observados em sistemas maiores era um grande mistério. Em 1981, Almir Caldeira desenvolveu um modelo teórico que buscava decifrar o porquê dessa diferença. O trabalho do brasileiro conseguiu demonstrar que, quando um sistema quântico interage com o meio externo, ele pode perder suas propriedades e começar a agir respeitando as leis da física.
Agora, os ganhadores do Nobel deste anos conseguiram transformar esta teoria em prática. O experimento mostrou que o que Caldeira previu matematicamente podia, de fato, ser observado e controlado.
Recebi com surpresa. Quando eu vi, pensei: agora foi coroado o projeto. Claro que seria melhor ganhar um prêmio, mas só esse reconhecimento, em termos científicos, já é ótimo. Dá orgulho, e você se sente recompensado. Fica feliz da vida.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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