Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de junho de 2026 · 2 min de leitura ·

Uso combinado de cannabis e tabaco piora cognição em jovens com risco de psicose, diz estudo

Uso combinado de cannabis e tabaco piora cognição em jovens com risco de psicose, diz estudo

Uma nova pesquisa publicada no periódico Biological Psychiatry: Cognitive Neuroscience and Neuroimaging revelou que jovens com alto risco clínico para psicose que fazem uso concomitante de cannabis e tabaco apresentam desempenho cognitivo significativamente pior do que controles saudáveis. O estudo, o primeiro a investigar especificamente o impacto do “uso combinado” nessa população vulnerável, preenche uma lacuna importante na literatura científica.

Os pesquisadores analisaram dados de 734 indivíduos em risco para psicose e 278 participantes saudáveis, todos parte do estudo multicêntrico norte-americano North American Prodrome Longitudinal Study 2. Os voluntários foram submetidos a uma bateria abrangente de testes neuropsicológicos e relataram seu consumo de substâncias no último mês.

A equipe liderada pela Dra. Heather Burrell Ward, do Centro Médico da Universidade Vanderbilt, observou que os indivíduos de risco que consumiam tanto cannabis quanto tabaco apresentaram desempenho inferior em uma ampla gama de testes cognitivos em comparação aos controles saudáveis. O uso combinado das duas substâncias tem aumentado nas últimas décadas – nos Estados Unidos, um em cada cinco jovens de 18 a 25 anos que fumam cigarros diariamente também usa cannabis todos os dias.

Surpreendentemente, os pesquisadores também descobriram que os participantes com risco de psicose que não usavam nenhuma substância apresentaram desempenho cognitivo igualmente baixo, além do menor nível de funcionamento social entre todos os grupos.

“Indivíduos em situação de risco que não fizeram uso de nenhuma substância podem representar um subtipo distinto, com dificuldades sociais”, explicou o co-investigador Ricardo E. Carrión, do Instituto de Ciências Comportamentais de Nova York, em comunicado. “Como se trata de adolescentes e o uso de substâncias está frequentemente ligado a interações sociais, aqueles que são menos sociáveis podem simplesmente não ter tantas oportunidades de usar substâncias.”

O editor-chefe do periódico, Dr. Cameron S. Carter, da Universidade da Califórnia em Irvine, destacou que o comprometimento cognitivo é um dos primeiros indicadores de risco de psicose, e que até agora não havia estudos examinando os efeitos do uso combinado no período prodrômico – a fase inicial em que surgem os sinais de alerta antes do desenvolvimento de sintomas definitivos.

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