Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Veja novas imagens impressionantes do cometa interestelar 3I/ATLAS

Veja novas imagens impressionantes do cometa interestelar 3I/ATLAS

Novas imagens do cometa interestelar 3I/ATLAS, feitas por telescópios na Terra, surpreendem ao mostrar detalhes muito mais nítidos e esteticamente impressionantes do que os registros divulgados pela NASA em uma coletiva de imprensa transmitida ao vivo na última semana. 

Enquanto as fotos espaciais exibem apenas um ponto borrado, as captadas no solo revelam a coma mais clara e expandida, além de uma cauda bem pronunciada. Essas diferenças chamam atenção e geram dúvidas, mas têm explicações técnicas simples.

Diferentemente do que muitos podem pensar, as imagens divulgadas pela NASA ficaram discretas não por falta de transparência da agência sobre o 3I/ATLAS, mas porque foram feitas com instrumentos que não possuem sensibilidade para registrar um cometa tão distante e pouco brilhante. 

Conforme explica o astrônomo Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e colunista do Olhar Digital, o 3I/ATLAS não se aproxima muito do Sol, o que reduz a quantidade de gás e poeira liberada. Sem esse material iluminado, o cometa fica visualmente menos desenvolvido. 

Além disso, também conta o fator distância. “Mesmo a partir de Marte, de onde ele passou a apenas 30 milhões de km, o 3I/ATLAS aparece tão pequeno no céu que seu núcleo poderia ser visto através da fenda de uma agulha”, compara Zurita. “Aí, os instrumentos do Perseverance e da Mars Reconnaissanse Orbiter (MRO), projetados para registrar a superfície do Planeta Vermelho, quando olham para esse astro distante, só enxergam mesmo um pontinho esfumaçado”. 

As espaçonaves envolvidas nessa observação também não foram projetadas para esse tipo de tarefa. As câmeras do rover Perseverance e da sonda MRO têm sensores pensados para registrar a superfície marciana, com foco em rochas, encostas e detalhes a poucos metros ou quilômetros de distância e sempre bem iluminados pelo Sol. Quando apontadas para um cometa extremamente distante e de brilho tênue, elas simplesmente não conseguem detectar as estruturas delicadas da coma e da cauda, produzindo um ponto difuso sem contraste.

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