Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Vírus gigante recém-descoberto dá dicas sobre a origem da vida

Vírus gigante recém-descoberto dá dicas sobre a origem da vida

A busca por respostas sobre a origem da vida na Terra ganhou novidades com o avanço das pesquisas sobre vírus, especialmente os chamados vírus gigantes. Essas entidades microscópicas provavelmente acompanham a vida desde o surgimento das primeiras células, mas desafiam as definições clássicas da ciência, se tornando um verdadeiro mistério.

Um estudo publicado recentemente no periódico Journal of Virology descobriu um vírus gigante inédito que afeta amebas e pode dar dicas sobre as origens desses seres.

Os vírus chamam atenção da ciência, já que são completamente diferentes de outros organismos. Eles são compostos apenas de material genético e não conseguem sintetizar proteínas, algo essencial para a atividade celular e para sustentar a vida.

Há décadas, pesquisadores tentam entender de onde eles viveram, como evoluíram e qual lugar ocupam na história evolutiva.

Um dos nomes centrais nesse debate é o do professor Masaharu Takemura, da Universidade de Ciências de Tóquio, no Japão. Em 2001, ele e o pesquisador Philip Bell, da Universidade Macquarie, na Austrália, apresentaram de forma independente uma hipótese ousada: a de que o núcleo das células eucarióticas (cujo núcleo é delimitado por uma membrana, como no caso dos humanos) pode ter surgido a partir de um vírus de DNA ancestral. A ideia, conhecida como eucariogênese viral, propõe que um grande vírus teria infectado um microrganismo ancestral semelhante às arqueias e, em vez de destruir a célula, estabeleceu uma convivência duradoura, incorporando genes do hospedeiro e dando origem ao núcleo celular.

Essa hipótese ganhou força em 2003, com a descoberta dos vírus gigantes de DNA. Ao infectarem células, esses seres criam estruturas internas chamadas fábricas virais, onde ocorre a replicação do material genético. Em alguns casos, essas fábricas são delimitadas por membranas e lembram a organização do núcleo das células complexas, sugerindo uma possível ligação evolutiva.

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