Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Você já viu um sistema planetário em forma de sanduíche? O Hubble já

Você já viu um sistema planetário em forma de sanduíche? O Hubble já

O Telescópio Espacial Hubble registrou algo fora da curva: o maior disco protoplanetário já observado ao redor de uma estrela jovem. Trata-se de uma massa colossal de poeira e gás vista a cerca de mil anos-luz da Terra, grande o bastante para desafiar os modelos clássicos de como nascem os sistemas planetários.

Apelidado de “Chivito do Drácula” (você vai entender o porquê disso), o sistema IRAS 23077+6707 não impressiona só pelo tamanho (mais de 40 vezes o diâmetro do Sistema Solar), mas pelo comportamento. As novas imagens, publicadas no The Astrophysical Journal, mostram um berçário planetário ativo, turbulento e assimétrico, bem diferente do cenário calmo que por muito tempo se imaginou para esse tipo de ambiente.

O nome técnico é pouco memorável, mas o objeto em si é impossível de ignorar. Oficialmente chamado de IRAS 23077+6707, o disco fica na região de Cefeu, área rica em formação estelar. Mesmo assim, ele se destaca: nenhum outro disco conhecido chega perto da sua escala.

Sobre o apelido: “Drácula” faz referência à Transilvânia, terra natal de um dos pesquisadores envolvidos na descoberta do disco, enquanto “chivito” é um sanduíche típico do Uruguai, país de outro membro da equipe. O apelido pegou porque descreve bem o que o Hubble viu: um sanduíche cósmico gigante flutuando no espaço.

O disco se estende por cerca de 640 bilhões de quilômetros, alcançando distâncias comparáveis à borda externa do Cinturão de Kuiper, muito além da órbita de Netuno no nosso Sistema Solar. É material suficiente para construir não um, mas vários sistemas planetários.

O ângulo de observação é outro detalhe crucial. Visto quase de perfil, com inclinação próxima de 80 graus, o disco bloqueia a luz direta da estrela central. O resultado é uma imagem icônica: uma faixa escura de poeira no meio, ladeada por regiões superiores e inferiores brilhantes, iluminadas pela luz espalhada. Daí a comparação inevitável com um sanduíche.

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