9º Prêmio ACIE: O Palhaço e Elvis & Madona são os grandes vencedores

Os prêmios da imprensa internacional foram entregues em cerimônia marcada por questionamentos sobre a situação do cinema brasileiro.
Foram entregues dia 7 de maio os prêmios ACIE, organizados pela imprensa internacional. Correspondentes de veículos prestigiosos da América do Norte, Europa e Ásia escolheram os melhores filmes brasileiros de 2011, em dez categorias. A cerimônia já começou com um tom político, quando o diretor da associação alfinetou a falta de filmes infantis no ano passado, "abrindo espaço à Hollywood e deixando de formar as próximas gerações", e comentou a controversa afirmação de Fernando Meirelles, presente na sala, de que fazer cinema nacional é muito decepcionante, e vale mais a pena se consagrar ao mercado estrangeiro. "Nós esperamos que você mude de ideia", afirmou o diretor da ACIE.
Os prêmios começaram confirmando a popularidade de Lixo Extraordinário com o público estrangeiro: o documentário sobre arte feita por catadores de lixo ganhou os prêmios de melhor documentário e de melhor fotografia, a Duda Miranda. Os diretores, emocionados, ofereceram o prêmio aos catadores de lixo, "que nós apoderamos através de um filme". Em seguida, Carlinhos Brown ganhou o prêmio de melhor trilha sonora por Capitães da Areia. Quem recebeu o prêmio foi a diretora, Cecília Amado.
Elvis & Madona surpreendeu ao levar quatro dos prêmios mais importantes: melhor ator (Igor Cotrim), melhor atriz (Simone Spoladore), melhor diretor (Marcelo Laffitte) e melhor filme segundo o júri popular. Os outros dois maiores prêmios da noite foram entregues ao filme O Palhaço: melhor filme pelo júri oficial, e "Blockbuster Brasil", atribuído à melhor produção brasileira com mais de 1 milhão de espectadores. O diretor e ator Selton Mello ironizou: "É engraçado O Palhaço ser designado melhor blockbuster. Isso mostra que é possível ser blockbuster sem perder a ternura", disse, arrancando aplausos calorosos da plateia.
Fernando Meirelles, Selton Mello, Igor Cotrim, Simone Spoladore, Marcelo Laffitte e Claudia Mattos
O grande homenageado da noite foi Fernando Meirelles, mas talvez o prêmio tenha tido um gosto um pouco amargo. Além da alfinetada no início da cerimônia, o diretor também levou outras duas cutucadas, primeiro de Simone Spoladore, que afirmou estar "muito feliz em fazer cinema brasileiro, especialmente neste momento", e depois da roteirista estreante Claudia Mattos (vencedora do melhor roteiro por 180º), que disse diretamente a Fernando Meirelles que "poderia ser pior", e que por isso era preciso persistir. Meirelles subiu aos palcos e, muito educado, reafirmou sua decepção com o resultado de Xingu, além de prometer fazer algum filme no Brasil "daqui a dois ou três anos". Modesto, ele ainda lançou a Selton Mello: "Depois você tem que me dizer como se faz para conquistar mais de um milhão…". Meirelles ainda aproveitou sua participação para soltar um feroz "Veta, Dilma!", em relação à controversa reforma do Código Florestal, aprovada pela Câmara dos…
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