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Cinema · · 2 min de leitura ·

Animações infantis reforçam estereótipos sociais e de gênero, conclui estudo acadêmico

Animações infantis reforçam estereótipos sociais e de gênero, conclui estudo acadêmico




Aladdin, um homem pobre que tem que roubar para comer, se identifica com os dramas de Jasmine, que vive em um palácio insatisfeita por não poder "escolher como se vestir". Os sete anões da Branca de Neve trabalham numa mina, um dos empregos mais arriscados do mundo, o dia inteiro com canções nos lábios e muita alegria e disposição. Em Cinderela, uma jovem deixa de ser faxineira para ganhar roupas caras e viver um casamento dos sonhos com um membro da realeza.

De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Duke, no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, "na terra da Fantasia, a desigualdade é benígna".

A socióloga Jessi Streib analisou o conteúdo de 36 filmes, produzidos por Disney, Pixar e produções de outros estúdios voltados para crianças para entender quais classes sociais eram representadas ali. O critério foi escolher filmes que receberam a classificação indicativa "Livre para todas as idades" que arrecadaram mais de US$ 100 milhões nas bilheterias americanas até o dia 1º de janeiro de 2014. Entre os filmes analisados estão animações O Rei Leão, Procurando Nemo, A Bela e a Fera e Pocahontas, e filmes com atores como os clássicos A Noviça Rebelde e Mary Poppins.

O estudo descobriu que os filmes apresentam uma visão suavizada sobre as classes sociais, focando em narrativas meritocráticas, onde personagens que obedecem às regras são recompensados com uma grande prosperidade economica.

Para Streib, que leciona Sociologia na Universidade de Duke, a forma leniente em que diferenças sociais são mostradas nos filmes é ruim para as crianças. "Ser pobre não é um problema. Ser da classe trabalhadora te faz feliz. Todos aqueles que querem prosperar, são ambiciosos e são boas pessoas vão conseguir. E os ricos ajudam, com alegria, todos os outros. Obviamente, não é assim que o mundo funciona."

A pesquisa indica que, dos 67 personagens principais do filmes analisados, 38 poderiam ser lidos como de classe alta ou média alta, 11 seriam da classe trabalhadora e somente três personagens seriam entendidos como pobres. "Os personagens da classe trabalhadora amam servir os da classe alta, e os ricos fazem o seu melhor para protegê-los", disse Streib em entrevista para a revista Carta Educação.

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