Cybercode
Adorocinema
Adorocinema
Cinema · · 3 min de leitura ·

Black Mirror: Crítica da terceira temporada

Black Mirror: Crítica da terceira temporada




O grande barato de Black Mirror é diagnosticar situações do cotidiano dentro do contexto do desenvolvimento tecnológico e esgarçar de forma fantasiosa os limites do comportamento humano, no que resulta em uma análise da nossa sociedade atual. Num tempo em que Hollywood está escalando atores baseada na popularidade dos artistas nas redes sociais, que games têm se tornado cada vez mais realistas, que a privacidade está em xeque e o linchamento virtual é uma constante, não falta material de base para a série que agora migra para a Netflix.

De forma geral, nota-se com muita clareza que a série diminui um pouco o tom apocalíptico. É claro que as histórias continuam obscuras e no limiar entre a realidade e um futuro talvez não tão distante, mas, em grande parte dos episódios da nova temporada, percebe-se que há um tom mais pautado no realismo.

Como, novamente, trata-se de uma temporada fragmentada, com capítulos de tramas independentes, a brincadeira foi dividi-los entre a redação. Cada episódio foi avaliado por um jornalista do AdoroCinema, que atribuiu uma nota ao final do texto. O objetivo era escrever até 1.200 caracteres – tarefa na qual alguns claramente #FAIL. 

Precisamos falar sobre o Facebook. A forma contemporânea de dizer que a grama do vizinho sempre parece mais verde é notar que, no Instagram, todo mundo é feliz. Pois o primeiro episódio da terceira temporada de Black Mirror, “Nosedive”, mira exatamente na maneira como nos relacionamos dentro das redes sociais.

Protagonizado por Bryce Dallas Howard, com direção de Joe Wright (Anna Karenina), o capítulo fantasia a respeito de um mundo em que se vive dentro de uma imensa rede social – um universo de tons pastéis plasticamente asseado que lembra o clima de Mulheres (e homens) Perfeitas. Cada sorriso, espirro ou trombada é avaliado como se fosse uma corrida do Uber. E o acesso a determinados produtos e serviços é condicionado à nota geral de cada um no aplicativo.

Assim, depois que precisa entregar o apartamento onde mora, Lacie encontra a casa dos sonhos – um tanto cara para os seus padrões, no entanto. Há uma política de descontos que favorece aqueles com nota igual ou superior a 4,5 (5 é o máximo) e a moça, com 4,2, vê a grande chance de melhorar sua classificação quando é convidada para ser a dama de honra do casamento de uma amiga de infância, a popular (e meio bitch) Naomie (Alice Eve).

Publicidade