Cine Ceará 2014: Filme espanhol com

Foi o que disse o diretor de Os Fenômenos, Alfonso Zarauza. A boa produção do país em crise é protagonizada por Lola Dueñas (Volver). Ator Nelson Xavier é homenageado. E três últimos curtas brasileiros entram na disputa.
“A minha intenção era dar uma bofetada de realidade em nossas consciências, refletir sobre o que fizemos de errado para cair nessa situação”. A crise espanhola da última década, decorrente sobretudo da especulação financeira que resultou em uma das maiores taxas de desemprego da Europa, é o pano de fundo de Os Fenômenos.
O longa-metragem entrou na disputa pelo Troféu Mucuripe do Cine Ceará na noite dessa quinta-feira, 20, apresentado no palco do Theatro José de Alencar pelo diretor do filme, Alfonso Zarauza.
Se o tema é duro, o cineasta europeu conseguiu articular uma história fictícia muito bem amarrada para abordar a temática – é dele também o roteiro. Na obra, Lola Dueñas – uma das musas de Pedro Almodóvar, com quem trabalhou em filmes como Os Amantes Passageiros, Abraços Partidos, Volver, Fale com Ela e em outras produções conhecidas do cinema espanhol no Brasil como Mar Adentro – vive a protagonista.
Ela é Neneta, uma mulher que resolveu arriscar uma vida de aventuras ao lado do namorado, Lobo (Luis Tosar), com quem tem um filho recém-nascido. A partir do momento em que ela é abandonada pelo cara, se vê obrigada a aceitar um trabalho como "peão de obras" de uma construtora e vai se encaminhando para uma vida mais careta.
Lola tem uma “loucura que é maravilhosa”, o diretor elogia a atriz. “Ensaiamos muito, mas às vezes ela mudava a cena na hora de rodar. Em um determinado momento, ela tinha uma fala de um minuto, que acabou substituindo por um tapa na cara do [Luis] Tosar”, exemplificou Zarauza. “E eu não esperava que fosse tão forte. O rosto dele ficou inchado”. Essa foi a bofetada literal de Os Fenômenos – cujo título, irônico, se refere à maneira como o chefe da construtora chama os empregados mais produtivos.
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