Cine Ceará 2015: Nosso balanço da 25ª edição do festival

Bons filmes latinos, excelente programação espanhola, safra brasileira decepcionante e curtas-metragens pouco variados.
Na noite de 24 de junho, a 25ª edição do Cine Ceará chegou ao fim após apresentar uma das melhores seleções de longas-metragens de toda a história do festival. Raros festivais nacionais conseguem reunir filmes tão aguardados quanto O Clube, Cavalo Dinheiro e Jauja na mesma edição. Não se espanta que estas produções (premiadas respectivamente em Berlim, Locarno e Cannes) tenham levado os principais troféus.
Apesar do favoritismo destes três títulos, os pequenos filmes ibero-americanos em competição não fizeram feio. Loreak, A Obra do Século, Crumbs e NN tiveram seus adoradores e detratores, despertando boas discussões nos corredores do cinema e nos debates com a imprensa. Percebe-se na curadoria um esforço louvável de apresentar filmes capazes de buscar tanto a pesquisa estética quanto a comunicação com o público mais amplo. As projeções no belo Cine Teatro São Luiz, aliás, foram marcadas pelas salas cheias e pela ótima qualidade de projeção.
A decepção ficou por conta dos representantes nacionais. Que Horas Ela Volta?, selecionado inicialmente pelo festival, seria sem dúvida o destaque nacional da competição, mas foi desprogramado in extremis e sem uma justificativa oficial por parte da produção. Real Beleza, de Jorge Furtado, decepcionou: o filme é simpático, mas fica aquém da profundidade e da inteligência encontrados normalmente nos roteiros do cineasta. Cordilheiras no Mar: A Fúria do Fogo Bárbaro chamou a atenção pelo tema (a política nacional vista por Glauber Rocha), mas não pela execução, de estética limitada e cansativa.
Apesar da boa qualidade dos longas-metragens, os curtas-metragens não atingiram o mesmo nível. Poucos filmes se destacaram, apresentando variedade limitada de temas e formas. Predominou o que os jornalistas locais chamaram de “filme selfie”: obras de baixo orçamento, feitas por diretores jovens, que colocam a si próprios e/ou sua família em tela, expondo suas fraquezas e desejos (sexuais, particularmente).
Virgindade, Feio, Velho e Ruim, Choclo, O Lugar Mais Frio do Rio, Cenário, Miragem e, em certa medida, Quintal foram alguns dos filmes seguindo esta estética. Bons ou ruins, eles tornam o conjunto coeso, mas empobrecedor: afinal, existem diversas formas cinematográficas (principalmente entre os curtas) que poderiam e deveriam fazer parte de um festival plural como o Cine Ceará. Muitos críticos acusaram a seleção de valorizar uma espécie de cinema egocêntrico, que não investiga a linguagem cinematográfica para além da impressão de realismo e imediatismo obtida da pelas novas tecnologias (celulares, webcams e afins).
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