Cine PE 2016: Discurso político, a segunda noite do festival, que tem estreia de O Prefeito, marca

Nizo Neto afirma que filme é a oportunidade de mostrar um lado que as pessoas não conhecem dele.
Enquanto os realizadores do pernambucano O Imperador da Pedra do Reino, documentário sobre o escritor Ariano Suassuna, conclamavam contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha; os conterrâneos responsáveis por Minha Geladeira Acha que É um Freezer (ambos da competitiva local de curtas-metragens) chamavam a atenção para o tratamento dado ao patrimônio público local – em especial o que chamaram de “descaso” com o Teatro do Parque e Teatro Apolo –; ao passo que, oportunamente, a sátira política O Prefeito, de Bruno Safadi (Rio de Janeiro), entrava para a disputa de melhor longa.
É inegável, o discurso político dominou a pauta da segunda noite do Cine PE, no Cinema São Luiz, na noite dessa terça-feira.
Protagonizado pelo ator Nizo Netto, filho do comediante Chico Anysio que ficou eternizado como o Seu Ptolomeu da “Escolinha do Professor Raimundo”, O Prefeito conta a história de um megalômano administrador da cidade do Rio de Janeiro que faz de tudo para entrar para a história – inclusive tentando emancipar o munícipio do restante do país. (Crítica aqui).
“Política se faz 95% no presente, 5% no passado, e foda-se o futuro”, diz o personagem em uma passagem do filme, que suspende a realidade e coloca o político despachando de um gabinete ao ar livre no meio dos escombros das obras na região portuária da cidade. “O filme pensa o Rio tanto como cartão postal, quanto pela falta de memória. É o clichê do político que, quando entra para o poder, destrói para
construir tudo de novo, sempre em nome de uma cidade que vai ficar melhor, e esse melhor nunca chega”, contextualiza o diretor.
Entre para comentar.