Cine PE 2016: Documentário sobre parceiro de Luiz Gonzaga conquista o público

Um filme ser aplaudido em um festival de cinema não é necessariamente um sinal de aprovação do público. As palmas são praxe, até mesmo um ato de educação. Agora, um filme ser aplaudido duas vezes durante a projeção e mais uma terceira, com o público de pé, o ovacionando, no fim… bem, não é algo que aconteça com frequência. Assim começou a carreira de Danado de Bom, na noite dessa sexta-feira, no Cine PE, em Recife.
O documentário, longa de estreia de Deby Brennand no formato, promove a protagonista aquele que sempre foi coadjuvante: o compositor João Silva, um dos parceiros mais constantes de Luiz Gonzaga, que viveu à sombra do “Rei do Baião”. “Nossa ideia não era fazer uma biografia. O filme é focado na parte compositora da vida dele”, explicou a montadora, Jordana Berg, na coletiva para a imprensa na manhã deste sábado, em Olinda. “E a gente percebeu que não tinha como lutar contra essa luz [Luiz Gonzaga]”, ela completa, para concluir que a opção foi não “romantizar” a vida do retratado.
O resultado é um filme-homenagem, que levou quase dez anos para ser concluído, dividido em quatro fases de produção desde 2007. Composto de um elenco enxuto de entrevistados (Dominguinhos, Elba Ramalho, Genaro, entre outros), Danado de Bom tem como fio condutor mais forte o próprio João Silva e os depoimentos exclusivos – e, muitas vezes, hilários – que ele prestou à produção, convencional, mas conduzida com uma linguagem dinâmica de forte apelo popular (sem demérito).
“Minha maior dor foi que, o tempo todo, o João pedia para ver um pedaço do filme e eu dizia ‘não, só quando estiver pronto’. E ele acabou morrendo em 2013, sem ter visto nada”, lamentou a diretora.
Após o debate, foi a vez dos organizadores do festival, Alfredo e Sandra Bertini fazerem um balanço da edição 2016 do Cine PE. Eles foram questionados, sobretudo, a respeito da presença da animação infantil As Aventuras do Pequeno Colombo na competitiva de longas-metragens.
“A gente adora vocês [jornalistas], mas nós fazemos o festival para o público”, disse, com jeitinho, Sandra. Para ela, o objetivo da curadoria, assinada pelo jornalista Rodrigo Fonseca, é “trazer um panorama grande do que está sendo produzido no Brasil” – a tal da pluralidade – e lembrou que o país teve uma
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