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Cinema · · 3 min de leitura ·

Crítica da primeira temporada de The Night Of

Crítica da primeira temporada de The Night Of




Minissérie da HBO expões as engrenagens da indústria penal numa grande reflexão sobre a Justiça e injustiças. Numa grande obra.

James Gandolfini foi a cara e a alma de uma verdadeira revolução na televisão norte-americana, como o chefe da Família Soprano. Três anos após sua morte prematura, em nova parceria com a HBO, seu legado é surpreendentemente enriquecido com mais uma grande (minis)série: The Night Of, da qual seria protagonista e, de maneira póstuma, assina como produtor executivo de uma obra grandiosa, que tão bem trabalha um gênero, dois, três, e diversas questões sociais pelo caminho.

The Night Of começa de forma espetacular! Nasir Khan (Riz Ahmed, excelente) é um jovem de família muçulmana que, para curtir uma noitada com os amigos, pega, escondido, o táxi do pai. No início de uma sucessão de erros, uma estranha entra no táxi. Uma linda estranha. E tão estranha à sua realidade introvertida e conservadora que aceita mudar os seus planos para uma noite inesquecível, regada a bebidas, drogas, jogos violentos, sexo selvagem… assassinato. Naz acorda, Andrea (Sofia Black-D'Elia), não. As 22 facadas sobre a misteriosa de 22 anos recaem sobre Nasir, que tenta fugir — em vão. Formando mais provas contra si e se tornando o único suspeito por um crime que não cometeu.

Esse piloto é brilhante. Uma obra de suspense que constrói tensão em todos os aspectos do fazer cinematográfico. Uma Nova York em sombras envolve o roteiro redondo, o protagonista assustado, o espectador, sufocado. Dali em diante, o thriller atmosférico se transformará num drama que investiga em minúcias um processo criminal, da descoberta do assassinato ao passo a passo a que é submetido o réu. O espectador segue toda a peregrinação de Naz: da cadeia para o tribunal, dali para a penitenciária, vivendo um inferno! À deriva e à mercê de uma indústria penal assustadora, formada por burocratas que ignoram as vidas perdidas num assassinato ou numa penitenciária.

A polícia não busca o culpado; a polícia busca um culpado. Sem se aprofundar nas investigações, entrega Naz de bandeja a uma promotoria em busca de resultados, que usará até de chantagem para ter o depoimento que deseja de suas testemunhas. Os juízes querem apenas acelerar o processo, partir desse a outro julgamento. Defensor do réu, John Stone (John Turturro) é um advogado de porta de cadeia parabenizado pelos juízes, promotores e policiais por conseguir um caso de homicídio — o mais rentável, mesmo que seu trabalho seja apenas conseguir o melhor acordo possível. Como se fosse bom confessar um crime que não cometeu e aceitar uma prisão de apenas 15 anos.

Desse modo, The Night Of escancara a falácia do contraditório e da ampla defesa nos Estados Unidos — e no Brasil, e no mundo como um todo. Um direito constitucional que só é de fato garantido a quem tem dinheiro; muito dinheiro. Quando a minissérie se transforma numa legítima obra sobre cadeia (fortes ecos de Oz), vemos que os presidiários são predominantemente minorias (negros,…

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