Demônio de Neon: “Elle Fanning tem um dom divino que todos mataríamos para ter”, diz o diretor Nicolas Winding Refn (exclusivo)

Nicolas Winding Refn – ou apenas NWR, como costuma assinar. Cultuado pela trilogia Pusher, rodada ainda em sua Dinamarca natal, o diretor alcançou fama mundial graças a Drive, premiado no Festival de Cannes. Desde então cada novo filme lançado tem sido um acontecimento, não apenas pela expectativa gerada mas também por dividir radicalmente opiniões.
Situado em plena indústria da moda, Demônio de Neon acompanha uma bela e ingênua garota de apenas 16 anos que se torna modelo profissional, precisando lidar com vaidades e invejas de suas "colegas" de trabalho. É nesta ambientação que Refn elabora um ambiente opressivo e repleto de interesses pessoais, o tal "terror sem terror".
"O horror é algo que você cria. Pensei que um filme sobre beleza e insanidade poderia ser bastante aterrorizante e foi aí que criei o conceito deste filme, uma trama sobre uma menina de 16 anos que nasceu bela. O que eu não queria era usar monstros ou assassinos em série, queria alcançar o que é considerado como o DNA dos filmes de terror. Mais do que tudo, eu queria alcançar um senso de movimento, algo como uma viagem espacial."
O diretor ainda comentou sobre o porquê de fazer um filme de terror neste momento da carreira. "Não sei porque faço as coisas, apenas senti que esse era o momento certo. Em Drive, eu atingi o auge do fetichismo masculino. Apenas Deus Perdoa é sobre emasculação, um retorno ao ventre materno. Então, neste filme, eu renasci no corpo de uma menina de 16 anos e tudo fez sentido quando decidi fazer esta história como um filme de terror."
Questionado se, assim como acontece com Jesse em Demônio de Neon, ele mesmo já teria sido alvo de inveja no meio cinematográfico, Refn não pensou duas vezes antes de responder: "Sim, claro! Todos querem aquilo que você conquistou e que não conseguem conquistar, todos se ressentem de algo que perderam, algo que costumavam ter. Isso é muito comum em qualquer lugar, competitividade é universal. O que é divertido é que ambientar esta trama no mundo da moda torna tudo mais glamouroso, é uma versão muito moderna. É inebriante."
A beleza – e suas problemáticas – é o tema essencial de Demônio de Neon e, para Refn, este é mais um fator que separa os homens das mulheres, tanto em seu filme como no mundo:
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