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Cinema · · 3 min de leitura ·

Diário de Cannes: entrevista com a diretora Juliana Rojas, do curta O Duplo

Diário de Cannes: entrevista com a diretora Juliana Rojas, do curta O Duplo




Presente na Semana da Crítica com "O Duplo", esta é a quarta vez que a diretora participa do Festival de Cannes.

Pode-se dizer que Juliana Rojas já seja uma veterana do Festival de Cannes. Afinal de contas, já tem no currículo quatro participações, uma com o longa Trabalhar Cansa (2011) e outras três com os curtas O Lençol Branco (2005), O Ramo (2007) e O Duplo (2012). Concorrendo neste ano na Semana da Crítica, a diretora conversou com o AdoroCinema e falou um pouco sobre a carreira, seu novo trabalho e planos para o futuro.

"A primeira vez sempre tem o lado interessante de, apesar de ser um festival francês, ser também muito internacional. É uma babel, tem gente de todo lugar, então é interessante exibir seu filme para um público que é totalmente estrangeiro", disse a diretora. "Além disto, a Cinéfondation é uma mostra voltada para estudantes de cinema, então foi interessante conferir as diferenças de produção. Havia casos de superproduções, curta custando US$ 100 mil, enquanto que O Lençol Branco foi feito nas dependências da USP."

"Na segunda vez foi bacana porque, na época, os curtas eram exibidos junto com longas. O Ramo passou com o argentino XXY e tinha sete exibições, todas com debate, então era muito intenso o retorno de público." Juliana disse ainda que foi nesta segunda participação que Trabalhar Cansa, sua estreia nos longa-metragens, ganhou corpo. "O curta foi feito pela Dezenove Produções e, quando entrou em Cannes, a Sara Silveira nos propôs um projeto de longa. Foi aí que fizemos a sinopse do filme. Como ainda fomos premiados, isto chamou muita atenção para o projeto."

Com Trabalhar Cansa selecionado para a mostra Um Certo Olhar, Juliana voltou ao festival no ano passado e notou várias diferenças. "Em Cannes é muito forte o aspecto do mercado. Você vir para cá com um longa já tem um valor comercial também, não é apenas artístico, pois o curta não encontra tanto mercado. Então é tudo muito mais intenso, tanto a parte de imprensa quanto os eventos do calendário do festival", explicou.

Em todos os trabalhos anteriores exibidos em Cannes, Juliana Rojas dividiu a direção com Marco Dutra. Desta vez ela está sozinha no comando de O Duplo. A diretora explica que isto não significa que a dupla tenha se separado. "Mesmo que a gente não esteja dividindo a direção é meio constante a colaboração, então por mais que a gente esteja separado na verdade nunca nos separamos. As pessoas têm muito a ideia de que o diretor é quem detém todo o poder em um filme. Se você faz cinema sabe que na verdade não é assim. O fotógrafo é muito autor do filme, o diretor de arte também e por aí vai."

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