Cybercode
Adorocinema
Adorocinema
Cinema · · 2 min de leitura ·

Entrevista: “É difícil encontrar espaço para o cinema nacional que não seja uma comédia”, diz o diretor de A Coleção Invisível

Entrevista: "É difícil encontrar espaço para o cinema nacional que não seja uma comédia", diz o diretor de A Coleção Invisível




Bernard Attal conversou com o AdoroCinema sobre A Coleção Invisível durante o Festival de Gramado.

Nascido na França e atraído para o Brasil graças aos romances de Jorge Amado, Bernard Attal estreia como diretor de longa-metragens com um filme genuinamente brasileiro: A Coleção Invisível, estrelado por Vladimir Brichta e Walmor Chagas. O AdoroCinema conversou com o diretor no último Festival de Gramado, onde o filme foi premiado com os Kikitos de Ouro de ator coadjuvante (Walmor) e atriz coadjuvante (Clarisse Abujamra). O resultado do bate-papo você confere logo abaixo.

AdoroCinema: A Coleção Invisível é baseado em um conto escrito por Stefan Zweig, que se passava na Alemanha. Por que adaptá-lo ao cinema?

Bernard Attal: Há vários fatores que, talvez inconscientemente, não tenha percebido na época. O primeiro é que admiro muito Zweig e, por ele ter se mudado para o Brasil, acredito que tenha uma visão da realidade brasileira diferente, pois é um olhar de alguém de fora. O segundo motivo é que o conto permitia que tratasse de dois assuntos importantes para mim: o lado de manter as coisas e por ser devoto de Santa Luzia. Este filme tem muito a ver com o significado do olhar, esta combinação de elementos acabou me atraindo para o conto de Zweig.

AC: Desde o início era sua intenção adaptar o conto para o interior da Bahia ou você chegou a pensar em outro local?

Bernard: Queria fazer o filme na Bahia, com certeza. Como o conto se passava na Alemanha dos anos 1920 precisava encontrar um cenário similar de ruína financeira. Como muitos franceses, vim para o Brasil devido aos romances de Jorge Amado, mas quando fui conhecer o sul da Bahia percebi algo bem diferente do que era mostrado nos livros. Havia este ar de decadência que buscava, mas também uma força existencial à frente desta fragilidade que combinava muito com o conto. Talvez se isto não existisse no sul da Bahia eu não pudesse fazer o filme na própria Bahia.

Publicidade