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Cinema · · 3 min de leitura ·

Entrevista exclusiva: Jorge Furtado fala sobre novos filmes, política, jornalismo, séries de TV e mais

Entrevista exclusiva: Jorge Furtado fala sobre novos filmes, política, jornalismo, séries de TV e mais




Premiado no Cine PE com seu novo trabalho, Jorge Furtado sentou com o AdoroCinema para um grande bate papo envolvendo vários temas. Confira!

Conhecido por trabalhos como O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um Cara e Saneamento Básico, O Filme, Jorge Furtado lançou seu primeiro longa de documentário no Cine PE 2014. Trata-se de O Mercado de Notícias, em que analisa o atual cenário do jornalismo no Brasil, em especial o jornalismo político. O filme foi um dos mais elogiados do festival pernambucano e conquistou o prêmio de Melhor Documentário tanto pelo júri oficial quanto pelo voto do público. O AdoroCinema conversou bastante com o diretor e o resultado você confere na íntegra!

Eu sempre gostei do assunto jornalismo. Eu fiz jornalismo antes de mudar para cinema. Gosto de jornal, gosto de ler notícia, gosto de política e escrevo sobre o assunto. Eu comecei a editar um blog na internet em 97 e lá se vão 17 anos. A gente nem chamava de blog ainda porque essa palavra não existia, chamava Não. Depois criei meu blog no site da Casa de Cinema de Porto Alegre e eu escrevo sempre sobre o assunto. Eu percebia que o jornalismo estava passando por uma transformação muito radical. Com os blogs, com os sites, com o Google, com Twitters e Facebooks chegou-se a pensar no momento em que o jornalismo ia desaparecer. Ou pelo menos a profissão de jornalista iria desaparecer. Se qualquer um pode fazer, por que precisa de um profissional? Se extinguiu o diploma e tudo mais… E eu, que sou um leitor de jornais e de sites, comecei a perceber que a função do jornalista é cada vez mais importante. Nessa torrente interminável de informações que a gente tem, precisamos de alguém que organize. Qualquer um pode pegar um celular e postar uma informação, uma foto, mas isso não é jornalismo. Precisa do cara que vai lá e investiga, que volta no lugar, que publica um negócio errado e se corrige no dia seguinte. O blogueiro não tem esse compromisso. Você pode colocar qualquer asneira no Facebook e não precisa voltar ao assunto. E o jornalista tem que voltar ao assunto. Isso é muito importante, tem que se falar disso.

Tem uma questão política mesmo e eu escolhi o recorde do jornalismo político porque eu me lembro em 2006, quando comecei a fazer este trabalho, a Judith Brito, que era presidente da Associação Nacional de Jornais, disse uma frase, cometendo talvez um “sincericídio”, em que falava que os jornais são a verdadeira oposição. Eu comecei a perceber que era isso que estava acontecendo. Como a oposição política estava muito enfraquecida, e continua assim, o jornalismo passou a ser a oposição, em muitos sentidos. Pararam de fazer jornalismo para fazer política diretamente, então procedimentos jornalísticos básicos, como chegar a fonte ou a autenticidade da notícia, estavam sendo abandonados com a ideia de simplesmente fazer política. Então, decidi fazer um documentário sobre isso. Comecei a estudar a história e fui pesquisar a origem, como começou o jornalismo. Eu li um livro…

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