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Cinema · · 3 min de leitura ·

Entrevista – Karim Aïnouz e Alessandra Negrini falam sobre O Abismo Prateado

Entrevista - Karim Aïnouz e Alessandra Negrini falam sobre O Abismo Prateado




Conversamos com o diretor e a protagonista do filme baseado na canção "Olhos nos Olhos", de Chico Buarque.

Um dos principais lançamentos da semana é O Abismo Prateado, longa-metragem baseado na popular canção "Olhos no Olhos", de Chico Buarque. O AdoroCinema participou da coletiva onde estiveram presentes o diretor Karim Aïnouz e a protagonista Alessandra Negrini, além de ter uma conversa exclusiva com Aïnouz. O resultado deste bate-papo você confere logo abaixo. Boa leitura!

O que significa O Abismo Prateado? O diretor Karim Aïnouz explica. "Tenho uma mania de escolher os títulos dos filmes apenas depois que eles ficam prontos. Tinha a certeza de que o filme deveria ter um nome diferente ao da canção, já que é inspirado nela e não um retrato dela. Tinha na cabeça alguns títulos, como Violeta, que é o nome da personagem. Mas depois achei que seria pouco preciso, já que não é um filme sobre ela, mas um momento vivido por ela. Aí veio um título maluco, O Sorvete Solar, já que ela toma sorvete para melhorar.

Quando estávamos terminando a montagem veio uma cena que para mim é muito emblemática, que é quando ela está na pedra do Leme. É uma cena limite, você não sabe bem o que a personagem vai fazer, e uma espécie de abismo. O abismo esteve sempre na minha cabeça, não propriamente como título mas como estado da personagem. Nesta cena em especial teve um pouco da fotografia que fez com que o mar ficasse cor de prata. Para mim o prateado sempre teve um pouco da alegria, de horizonte. Aí juntei os dois nomes, que é até uma junção um pouco contraditória. Achei super bonito, mas também um pouco de filme de terror ou de ficção científica. Você não sabe exatamente que tom ele tem pelo título. Comecei a gostar disto também, então aos 48 minutos do segundo tempo decidimos que o filme iria se chamar O Abismo Prateado."

"Esta é uma música que tem interpretações distintas e cada uma delas é muito contundente", explica o diretor. "Há ainda o desafio e a dúvida. Gosto de várias canções do Chico Buarque, mas esta talvez seja uma das mais abstratas, que te permita imaginar o que está em volta. Com isso tive uma sensação maior de liberdade para adaptar."

"Havia um desafio bonito que era fazer um filme inspirado numa canção que é na verdade uma carta de amor e um poema. O desafio não era reproduzir a carta, mas imaginar as condições nas quais ela foi escrita. Este foi meu ponto de partida", contou Aïnouz, que falou ainda sobre como foi definindo alguns dos principais elementos da história. "O nome Violeta sempre esteve comigo, pois gosto muito dele. Tem uma coisa de violento ao mesmo tempo que é o nome de uma flor, é a cor de um hematoma. Achei que era muito preciso para este personagem, pois era machucado mas ao mesmo tempo muito forte. Queria também que fosse um personagem comum. Quando você lê a carta não imagina que seja uma adolescente, mas uma mulher que já passou por algumas coisas na vida. São coisas que a gente vai descobrindo aos poucos, é um exercício de…

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