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Cinema · · 2 min de leitura ·

Exclusivo: Cristiano Burlan defende as “imperfeições” de Fome no Festival de Brasília 2015

Exclusivo: Cristiano Burlan defende as "imperfeições" de Fome no Festival de Brasília 2015




O diretor conversou com o AdoroCinema, junto do ator e roteirista Henrique Zanoni e do ator Jean-Claude Bernardet.

Com seu drama Fome, sobre um morador de rua interpretado por Jean-Claude Bernardet, o diretor Cristiano Burlan despertou uma calorosa salva de palmas no Festival de Brasília. Mesmo assim, o cineasta de Mataram Meu Irmão e Hamlet afirmou aos jornalistas que não estava contente com a mixagem de som, e quase abandonou o filme de "vergonha" durante a projeção.

Em entrevista exclusiva ao AdoroCinema, Burlan falou sobre a origem deste projeto singular, justificando a presença de "imperfeições" e falando sobre a direção como uma partitura ou uma coreografia, ao invés de um roteiro preciso. O cineasta aproveitou para criticar o "aburguesamento dos meios de produção", que afetam principalmente os grandes filmes nacionais. O ator e co-roteirista Henrique Zanoni também participou da conversa, assim como Jean-Claude Bernardet:

Cristiano Burlan: É sempre difícil dizer. Eu trabalho muito com sensações. São três coisas muito importantes: a minha relação com a cidade, a vontade de trabalhar com Jean-Claude Bernardet como protagonista, e por fim a presença dos elementos invisíveis de São Paulo. Mas não foi nada organizado, isso foi surgindo, a partir de uma ficção.

Henrique Zanoni: Lá atrás, tinha esse livro de um sueco, Knut Hamsun, chamado Fome. Lemos o livro, e começamos a conversar. O roteiro partiu do momento em cena: conversamos antes, mas quando chegou a hora, captamos o que estava acontecendo. Mas estamos há seis meses trabalhando no roteiro juntos, por assim dizer, conversando. Na hora de filmar, criamos.

Cristiano Burlan: Eu não trabalho com roteiro, mas com escaleta. É algo que gera até um storyboard, não definitivo, mas com ideias gerais da cena. Oferecemos esse material aos atores, e eles improvisam a partir disso. É como uma partitura para eles tocarem.

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