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Cinema · · 3 min de leitura ·

Exclusivo: Diretor Wolney Oliveira fala sobre o documentário Os Últimos Cangaceiros

Exclusivo: Diretor Wolney Oliveira fala sobre o documentário Os Últimos Cangaceiros




Já está em cartaz nos cinemas brasileiros o ótimo documentário Os Últimos Cangaceiros, retrato do casal Durvinha e Moreno, antigos cangaceiros do grupo de Lampião que esconderam o passado para fugir da polícia. Com vasto material de arquivo e bons depoimentos, o filme traça um retrato curioso e inédito destes bandidos, hoje reconhecidos por muitas pessoas como heróis. Confira a nossa crítica.

O AdoroCinema conversou em exclusividade com o diretor Wolney Oliveira, que explicou como este projeto se difere de tantos outros feitos sobre o cangaço, e porque a obra de 2011 só está chegando aos cinemas quatro anos mais tarde:

"Eu tinha feito em 1999 o meu primeiro longa, que se chama Milagre em Juazeiro. É um docudrama sobre a história do Padre Cícero Romão Batista e a Santa Maria de Araújo, com o milagre da hóstia. No filme, tive o primeiro contato com a figura de Lampião, que conheci mais profundamente. Ele passou em 1926 em Juazeiro do Norte, e fiquei com vontade de fazer um filme sobre Lampião. O projeto foi amadurecendo, até que resolvi fazer um longa, chamado inicialmente Lampião, o Governador do Sertão.

Esse nome tem a ver com a carta que o Lampião escreveu para o governador de Pernambuco nos anos 1930, propondo dividir o Estado em dois limites, um sob controle do governador, e outro governado por Lampião. Comecei a pesquisar com ex-cangaceiros, com os “macacos”, que eram os policiais… Durante as filmagens, através do pesquisador João de Souza Lima, cheguei a Durvinha e Moreno, que formavam o último casal pertencente ao grupo de Lampião. Decidi mudar o foco, fazendo um filme sobre eles dois".

"Eles fugiram em 1940 do interior do Pernambuco até o interior de Minas. Foram três meses de caminhada, e na época eles deixaram um filho com três meses de idade. Quando eu encontrei o casal, este filho, Inácio, já tinha 69 anos. Ele impôs muitas dificuldades ao projeto. Afinal, tinha acabado de reencontrar a família, e achava que a gente queria explorar os pais dele. Depois, ele pediu perdão, viu a importância e deu entrevista ao filme. Mas nós não filmamos o encontro dele com os pais, porque ele não permitiu.

No final, nós nos tornamos grandes amigos ao ponto que dona Durvinha me colocou um apelido. Ela me chamava de Português, que era um cangaceiro alto, de cor branca. Ela deu nomes de cangaceiros a todos na equipe. Hoje os dois faleceram, mas nós filmamos o casal entre 2006 e 2010, aproximadamente. Foi uma boa relação".

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