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Cinema · · 3 min de leitura ·

Exclusivo: “É possível fazer cinema popular de qualidade”, afirma o diretor da estreia Amor à Primeira Briga

Exclusivo: "É possível fazer cinema popular de qualidade", afirma o diretor da estreia Amor à Primeira Briga




Chega aos cinemas dia 2 de abril um dos filmes franceses mais premiados de 2014: a comédia Amor à Primeira Briga, vencedora de todos os prêmios da Quinzena dos Realizadores, no festival de Cannes, e premiada com o César de melhor filme de estreia, melhor atriz e melhor ator revelação. A história gira em torno de dois jovens: Madeleine (Adèle Haenel), impulsiva e bruta, sonha em entrar no exército para aprender técnicas de sobrevivência, já Arnaud (Kévin Azaïs), mais calmo e dócil, acaba se juntando a ela na viagem. Leia a nossa crítica.

O diretor e roteirista, Thomas Cailley, esteve de passagem no Brasil para apresentar esta mistura divertida de comédia, drama e história de aventuras. Nós conversamos em exclusividade com o cineasta, que falou sobre a escolha do elenco, sobre os desafios de fazer um primeiro filme, da situação de crise econômica na Europa e sobre a possibilidade de fazer um filme popular de qualidade. Confira esse bate-papo abaixo:

Eu queria escrever uma história de amor, e gosto muito da ideia das duplas no cinema, porque elas sempre provocam conflitos, colisões. Algo se transmite permanentemente entre os personagens. Mas eu não assisto às comédias românticas, não sei como funciona o gênero. Um dia, assisti na televisão a um programa de sobrevivência sobre um homem que é lançado de um helicóptero no meio da selva. O programa é patético, mas achei aquele homem bastante comovente. Para ele, a vida não era suficiente, e a sobrevivência era um valor mais forte do que a vida. Achei isso interessante. A liberdade não é necessariamente uma transgressão, pode também ser os obstáculos que as pessoas impõem a si mesmas. Isso deu origem ao personagem de Madeleine, e eu pensei que seria legal ver como ela se encaixaria em uma história de amor.

Essa idade não é muito retratada no cinema. Fala-se muito sobre a adolescência, sobre as primeiras vezes: a primeira experiência sexual, a primeira desobediência aos pais… E depois saltam os 20 anos para ir diretamente à desilusão dos 30 anos, com a ideia de ter filhos, dívidas etc. Mas o início dos 20 anos é interessante, porque as pessoas ficam impactadas pelo mundo, com decisões sérias a tomar. É quando se decide aceitar, ou partir para o combate.

Para mim, era natural que a questão da sobrevivência afetasse os dois personagens. Nessa idade, a sociedade diz que é preciso se projetar no futuro. Nas entrevistas de trabalho, perguntam: “Onde você acha que estará daqui a dez anos?”. Isso é muito angustiante, principalmente porque nos lembram sempre que o futuro não nos diz respeito, porque estamos em uma crise permanente. Os personagens vivem essa pressão, e transformam-na em um combate diferente, metafórico. São dois instintos de sobrevivência opostos: Arnaud está em um momento de conservação, mantendo com ele as coisas de que gosta, as pessoas, o emprego herdado do pai. Madeleine está em um momento de destruição, de morte, de guerra. Ela espera que tudo exploda para algo acontecer. O encontro entre os…

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