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Cinema · · 3 min de leitura ·

Exclusivo – Philippe Barcinski fala sobre o drama Entre Vales, apresentado no Paulínia Film Festival 2013

Exclusivo - Philippe Barcinski fala sobre o drama Entre Vales, apresentado no Paulínia Film Festival 2013




No Vº Paulínia Film Festival 2013 foi apresentado o drama Entre Vales, segundo longa-metragem dirigido por Philippe Barcinski após Não por Acaso (2007). A história mostra Vicente (Ângelo Antônio), que leva uma vida estável ao lado da esposa e do filho, até atravessar um trauma e acabar vivendo nas ruas. O diretor conta como se interessou pelo cenário do lixão, como escolheu o seu ator principal e quais foram as dificuldades do projeto.

Como surgiu o projeto de Entre Vales? Vocês começaram a captar recursos em 2008, certo?

A captação foi muito lenta, porque o projeto tem uma temática difícil para levantar dinheiro. O primeiro dinheiro que entrou foi da prefeitura. Como filmamos em 2011, levou três anos para captar, e depois mais um pouco para finalizar… Artisticamente, o que aconteceu é que eu estava buscando, como sempre busco, construir uma metáfora de alguma coisa. Tento fazer uma imagem que seja mais do que a própria imagem. Quando eu fiz Não por Acaso, a sinuca e trânsito eram muito mais do que sinuca e trânsito, eram uma metáfora visual de algo que os personagens estavam vivendo, sentindo.

Há muito tempo atrás, eu fiz uma pesquisa sobre um documentário que não foi feito, sobre lixo. Isso foi antes de Lixo Extraordinário. Eu tinha visto Estamira e ficado muito impressionado com a potência daquele ambiente. Achei que ali tinha algo que daria para traduzir em sensações na tela. Depois eu fui para São Paulo, e busquei cooperativas de catadores de lixo. Achei muito intenso o que se sentia naqueles lugares. Eu me deparei com várias situações de pessoas com perdas no lixão. Quase a totalidade das histórias era de pessoas que foram lá não porque queriam, e sim porque perderam a família, por exemplo. O lixão é um ímã de histórias de perdas. Depois, quando fui à cooperativa, ouvi história de reconstrução. Muita gente chega lá sem nada, sem autoestima, sem higiene, sem família, sem dinheiro, e depois de um tempo trabalha, toma o seu ônibus, e tira seus 1.200 reais por mês. Esse trabalhador é como uma babá, uma doméstica, um cobrador de ônibus, um vigia. Ele é plenamente inserido na sociedade. Aí caiu a ficha: a questão do lixo era muito forte, porque por um lado atrai as perdas, e por outro, nas cooperativas, atrai histórias de reconstrução.

Assim eu tive a ideia de contar a história de um cara que teve perdas, e que depois se reconstrói. Em termos de metáforas, o lixo é perfeito para isso, porque trata de perda e reconstrução, de descarte e reaproveitamento. De repente, tudo se encaixou. Pensei em contar essa história de maneira descendente, com um cara que perde tudo, e em paralelo uma história ascendente, que vai reconstruindo, e aos poucos a gente vai entendendo o porquê. Tem um ponto de inflexão claro, que é o ponto de virada da história. Esteticamente, eu quis fazer um filme com um tempo mais largo do que Não Por Acaso, que pudesse respirar, que não fosse tão preciso e calculado. É um tempo do circuito de arte, um tempo que você respira junto do…

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