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Cinema · · 3 min de leitura ·

Exclusivo: Prova de Coragem reflete “extremo individualismo” dos dias de hoje, afirma o diretor Roberto Gervitz

Exclusivo: Prova de Coragem reflete "extremo individualismo" dos dias de hoje, afirma o diretor Roberto Gervitz




No 48º Festival de Brasília, o diretor Roberto Gervitz apresentou seu filme mais recente, o drama Prova de Coragem. Adaptada do livro "Mãos de Cavalo", de Daniel Galera, a história apresenta um casal em crise: Adri (Mariana Ximenes) engravida, mas o marido (Armando Babaioff) não quer ter filhos. Enquanto ela mantém a gestação, ele decide fazer uma escalada perigosa, para acertar as contas com um trauma do passado.

O AdoroCinema conversou em exclusividade com o cineasta, que falou abertamente sobre a escolha do elenco, a influência da Globo Filmes no projeto e os motivos que o afastaram do cinema desde sua última produção, Jogo Subterrâneo, de 2005. Prova de Coragem chega aos cinemas em abril de 2016.

Eu li o livro Mãos de Cavalo em 2008, e fiquei com vontade de adaptar, porque gosto muito dos personagens do Daniel Galera. Eles têm uma trajetória randômica: todos estão perdidos, mas no fundo estão fazendo uma busca da qual não têm consciência. Essa desorientação me atraía, porque no fundo era ordenada pelo subconsciente. Além disso, o livro lida de cara com a questão da coragem.

Liguei para o Daniel Galera em 2008, que me disse que já tinha vendido os direitos do livro. Então desencanei. Tempos depois, reencontrei minha amiga Mônica Schmiedt, e ela disse que estava com os direitos do Mãos de Cavalo. Ela estava trabalhando com duas pessoas na adaptação. Eu disse: “Se tiver algum problema, e se precisar de alguém no futuro, eu tenho vontade de fazer esse filme”. Dois anos depois, ela me ligou, entre o fim de 2010 e o começo de 2011, para saber se eu ainda estava interessado. Eu disse que sim, mas não queria trabalhar em cima do que já tinha sido feito, queria começar do zero. Abandonei todo o trabalho de antes e fui dando a minha leitura do livro. Demorei três anos para escrever, foram sete tratamentos. Foi um processo de depuração e aprofundamento, para chegar na essência do que eu queria contar. Filmamos em abril de 2014, editamos e o filme só ficou pronto agora.

É curioso que os personagens estejam sempre sabotando suas próprias iniciativas. Adri enfrenta uma gravidez de risco, mas carrega objetos pesados de propósito. Hermano tem vertigens, mas decide escalar mesmo assim. 

É uma leitura possível. Tem uma dimensão de autossabotagem, mas também existe o fato de que eles querem tudo. Os personagens  de Prova de Coragem não querem escolher, como a Adri diz: “Eu quero tudo e muito mais”. Só que isso nem sempre é possível na vida. No fundo, são personagens que não cresceram, afundados nos seus próprios projetos, sem a capacidade de compartilhar nada. Eles não possuem projetos comuns. Em certa cena, ele pergunta: “Você quer terminar o casamento depois de tudo que a gente viveu?”, e ela responde: “Mas o que foi que a gente viveu?”.

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